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Janeiro, mês de férias.
Como a equipe Terra e Asfalto não é de ferro, Márcio Miranda e Fábio
Pimenta estão curtindo o verão, eu e minha esposa Diva, acompanhada
de nossa mascotinha Cherry, fomos realizar um antigo sonho: conhecer a
Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina voltando pela serra do Corvo
Branco, que cruzamos há uns 10 anos.
Saímos de Caiobá,
litoral paranaense, com destino a Br-116, no trecho entre Garuva e
Florianópolis. Na nossa direita a serra e a esquerda o mar, verde
azulado e suas belas praias. Demos uma pequena entrada em Florianópolis
para matar a saudade.
Fomos em frente até
Laguna, almoçamos a beira mar e fomos até o Mole para curtir os
golfinhos. Novamente na estrada até a entrada de Tubarão, uma bela
cidade que surpreendeu, a nove metros de altitude, com 83 mil
habitantes, cortada pelos rios Tubarão, Capivari e Correias, dentre
outros, sendo a porta de entrada para a Serra do Rio do Rastro, anote
a coordenadas 28º 28"49 de latitude sul e 49º16"18 de
longitude oeste.
Após cruzarmos Tubarão,
fomos em direção a Gravatal, cidade das termas, uma das poucas a
possuir o selo de qualidade turística, hoje voltada para o turismo
ecológico, com muitas trilhas, morros, grutas e cachoeiras.
Com 8.800 habitantes,
localizada entre Tubarão e Lauro Muller, latitude 28º33 e longitude
49º 35 e sua população basicamente formada por açorianos e
italianos, vale a pena conhecer a cidade e suas termas, nos hotéis.
Continuamos subindo em
direção a Serra do Mar, passando por Orleans e Braço do Norte
(capital nacional das molduras). A tarde chega ao fim, o ar muito
abafado e úmido, com temporal preste a cair, chegamos a lendária
cidade Lauro Muller, fundada em 1956, com 13.351 habitantes e as
coordenadas são 28º23’00 de latitude sul e 49º24"00 de
longitude oeste, cortada pelos rios Tubarão, Palmeiras, Oratório e
Capivaras, e fica exatamente no pé da Serra do Rio do Rastro.
Ficamos hospedados na
Pousada do Castelo. Na placa de estrada em sua propaganda sugeria que
a pousada era mal assombrada, realmente metia medo, construída muito
antes da cidade Lauro Muller, quando as cidades L.Muller, Gravatal,
Orleans, Grão Pará e parte de Urubicí, pertenciam ao grande empresário
Henrique Lage, que mandou construir o castelo para se hospedar e a
seus amigos do governo. O jantar foi servido às 19h30. Passamos uma
noite agradável sem avistar os fantasmas.
Domingo pela manhã
acordamos. Mais tarde, para fugir da neblina matinal na serra, após
um ótimo café colonial, alimentamos Cherry, deixamos a Pousada
lamentando a não aparição dos fantasmas. Talvez eles tenham nos
visitado, mas o cansaço era tão grande que nem a tempestade que caiu
atrapalhou nosso sono.
Agora pé na estrada
direto para a serra R.R. Já sabíamos do perigo que a sinuosa serra
oferece, mas na entrada num posto da polícia rodoviária, existe um
placar informando que o último acidente com morte na serra ocorreu há
18 dias. Isso assusta.
A estrada, agora toda
asfaltada e iluminada, foi iniciada por volta de 1870 e concluída em
1903. O trecho que percorre a serra faz parte da rodovia SC-438, que
liga o litoral a Lages e outras localidades.
Enfim estamos na serra,
minha esposa filmando tudo e a Cherry, com vento na cara, aproveitando
a linda paisagem, já estivemos na Cordilheira dos Andes em serras de
difícil acesso, mais a do R.R. é espetacular.
Levamos cerca de 01h50
para percorrer os 06 km da estrada, até seu topo onde a vista é magnífica,
as fotos não representam nosso sentimento de conquista. Como grande
novidade, a iluminação do trecho da serra, oferecendo um espetáculo
à parte, a energia elétrica é fornecida por grande moinho de vento,
produzindo energia eólica, a custo zero.
Iniciamos o retorno a
Tubarão, por outro percurso, a conhecida Serra do Corvo Branco, após
passar pela cidade mais fria do Brasil (em 1990 registrou 17 º
negativos) Urubicí, fomos visitar o Morro da Igreja, o mais alto do
Sul do País e o mais frio também, com 1882 metros de altura.
Para chegar no alto
percorremos 16 km de boa estrada asfaltada, rodeada por uma mata de
pinheiros araucária. Lá em cima pudemos avistar a Pedra Furada e o cânion
formado pelo Rio Pelotas que ali nasce, (afluente do rio Uruguai).
Iniciamos a subida por uma
estrada que mais parecia uma trilha. A Land Rover gostou, já chovia
bastante e a visão da floresta de pinheiros foi prejudicada, após 30
minutos sem mais e nem menos deparamos com a entrada da Serra do Corvo
Branco, um corte na rocha de mais de 70 metros de altura, feito na
base da picareta e dinamite.
Foi uma decepção para nós.
Havia asfalto, mas só para enganar os aventureiros. Só uns 300
metros estava asfaltado na parte mais alta.
Na descida, perigo.
Dirigir na Serra do C.B é a mesma coisa que pilotar um carrinho de
montanha russa em baixa velocidade em pista de terra.
Um olho no peixe e outro
no gato, ou um olho na vista panorâmica e outra a estrada, nos
primeiros 50 metros o primeiro sufoco, não consegui fazer a curva, é
arriscado dar uma ré com jeep inclinado para frente. Passado o susto
vamos em frente e paramos para ver o Morro do Avencal ao longe pudemos
avistar a imagem do guardião do morro, na pedra, ali talvez , pela
presença de monumentos megalíticos, hoje passados mais 3.000 anos a
presença de civilização que registraram sua passagem em painéis de
arte rupreste, assunto para uma expedição futura, a nossa esquerda a
cascata do Avencal com mais de 100 mts de altura, a 8 km da SC-430.
São 15h, chegamos a
bonita vila de Orleans, paramos para uma justa e merecida cervejinha.
Passamos por Braço do
Norte, a capital nacional de molduras decoradas em gesso, uma breve
parada em Gravatal para o tradicional café colonial.
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Visual lindo

Banquinha típica da região de
Urubicí (artigos artesanais)

Vista geral

Vista da serra

Nosso jeep lá embaixo

Vista do alto

Cherry curtindo a serra

Entrada da Serra do Corvo Branco
com mais de 80 mts de altura em pedra vulcânica aberta na base da
picareta

Gerador gigantesco de energia
eólica

Vista panorâmica da serra

A mais de 1.000 mts de altura

A neblina se formando
rapidamente

Ônibus sofrendo ao longe

Pedra furada Morro da Igreja, o
mais alto do sul do país com 1828 mts de altura
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