Patagonia - Tierra de Aventura

EXPEDIÇÃO USHUAIA/2006
Ponta Grossa – Paraná – Brasil

Diário de Bordo:

Esta viagem ao temido fin del Mundo iniciou-se apenas como um sonho, que pouco a pouco foi se tornando realidade. Há dois anos atrás comprei um Land Rover Defender já com o intuito de realizar esta expedição. No decorrer deste tempo fui equipando a máquina para que nada saísse errado, visto que não se trata de uma viagem de fácil realização, principalmente no inverno, como a que foi realizada.

Neste ano me programei convidei os amigos e estava sentindo que ficaria sozinho. No entanto, um dos convidados foi meu caro amigo Glay, o qual se mostrou muito interessado em vir junto comigo. Após muitos meses de preparação e insistência junto aos meus convidados, para que pelo menos um deles não me deixasse na mão, a viagem felizmente acabou se concretizando. O time foi composto por mim, o meu já citado amigo Sanderson Glay e um Land Rover Defender verde 2004 com design e aerodinâmica da década de 40, porém com muita autenticidade e charme em função de seus quase 200 adesivos espalhados pela lataria.

 Nas ultimas semanas fiquei um pouco apreensivo ou mesmo nervoso em função das distâncias a serem percorridas, do carro e mesmo da Empresa, da qual precisaria me afastar por quase um mês. Mas como sou persistente não me deixei abater e com a ajuda da Márcia, minha querida esposa, que me deu toda a forca necessária, a viagem realmente saiu.

05/08/2006

No dia “D” acordei as 05:00 horas da manha com um telefonema do meu querido cunhado Fabio (que abortou da viagem no ultimo momento). Levantei, tomei banho e comecei a me preparar, inclusive ligando para o Glay para ele vir tomar o café da manha em casa preparado pela Márcia. A cena que se compôs pela manha incluía meu filho Marcio filmando, a Márcia chorando, além da triste cena do Fabio que nem deveríamos contar, mas que também chorava e se lamentava de não estar partindo junto conosco.

Após o café tiramos algumas fotos, filmamos nossa saída e partimos as 07:30 horas de Ponta Grossa (preocupados com um vazamento de óleo hidráulico que achamos que era do Land Rover), mas que com certeza deve ter sido do Landau do Marcio. De qualquer forma acabamos viajando em direção a Palmeiras com destino ao Rio Grande do Sul. No Estado de Santa Catarina como sempre gosto de mudar rotas desviamos por Chapecó (bela e grande cidade) que conheci há muitos anos atrás.

Neste primeiro dia não sabíamos aonde iríamos dormir. Minha proposta era para almoçarmos já no Rio Grande do Sul e dormir em São Borja, pois não sabíamos o desempenho do Jeep. Como conseguimos passar por Chapecó e realmente almoçar nos Pampas Gaúchos, aliado ao bom desempenho do carro acabamos chegando a São Borja no final de tarde.

Assim sendo, passamos a alfândega da Argentina e rodamos a noite até as 11:30 horas chegando para dormir em Chajari (Província de Entre Rios) já com 1.342 km rodados. Acabamos dormindo no Hotel Caribe 2 com um custo de 45 pesos sem café (Hotelzinho) que serviu para matar o cansaço e tomar um banho bem quente.

06/08/2006

Saímos de Chajari as 07:40 horas da manha com o hodômetro marcando 1.342 km de viagem, rodamos até Zarate chegando próximo do meio dia. Lá acertei meu celular com a Tim e continuamos a viagem para passar ao lado de Buenos Aires e fomos almoçar em Mercedes próximo das 14:00 horas num restaurante muito agradável (muita carne).

Saindo de Mercedes passamos em 9 de Julho e abastecemos no Posto Santa Márcia das Quebradas (nome proveniente da ultima viagem a San Martin de Los Andes, em função do tombo sofrido pela minha querida esposa Márcia) e depois fomos em direção a Bolivar procurando sempre as rutas para Bahia Blanca, quando chegamos já com 2.500 km rodados às 20:45 horas da noite. Chegando fomos direto ao Shopping para procurar as camisas La Martina para os filhos.

Após algum tempo de passeio e compras fomos procurar Hotel e com muita sorte conseguimos lugar no melhor Hotel da Cidade, Hotel Austral (diária de 130 pesos). Instalamos-nos, tiramos fotos, filmamos o Hotel e fomos jantar recomendados pelo Gerente no Restaurante Arrayanes, onde comemos um assado de tiras e tomamos um bom vinho. Na saída o restaurante nos ofereceu uma taça de espumante e em seguida nos dirigimos para o Hotel.

Para finalizar este relato do dia devemos comentar que o carro (Land Rover Defender 110) vem desempenhando uma performance superior a esperada, rodando em media de 100 km/Hora com final de 140 km e media de gasto de combustível de 8,78 Km/Litro.

07/08/2006

Começamos o dia em Bahia Blanca perdendo o horário para acordar. O Glay sempre me falou que acorda muito cedo, mas hoje ele acordou depois das 08:00 horas da manha. Levantamos, tomamos banho e um bom café (o Hotel era ótimo devíamos dormir até as 12:00 horas). Saímos de Bahia Blanca às 09:30 da manha com destino já traçado a Puerto Madryn onde iríamos pernoitar para conhecermos a Peninsula Valdez no dia seguinte.

A viagem correu tudo bem. Passamos por Rio Colorado onde, por sinal, tem um rio muito bonito que nos deu a impressão de estarmos nos EUA. Após passarmos esta cidade começaram as muitas retas intermináveis que marcam o mapa rodoviário da Argentina. Ao entrarmos na Província de Rio Negro, já dentro da Patagônia, rodamos bastante e somente paramos para abastecer e para fazermos um lanche em Sierra Grande, isto já quase 15:00 horas da tarde.

Continuamos a viagem e chegamos em Puerto Madryn próximo das 16:30 horas, onde fomos procurar um Hotel e acabamos nos hospedando no Playa Hotel, quase de frente para o Píer da Cidade. Esta cidade é muito linda e com um comércio bem ativo, no qual aproveitamos para dar uma olhada. Em seguida pedimos informação na portaria do Hotel onde nos informaram que a melhor carne da cidade poderíamos comer na Parrilla Estela. Fomos até o local e infelizmente na segunda feira descobrimos que estava cerrado.

Então optamos por uma casa de vinhos que nos indicaram, chamada Puerto Mariscal, na qual fomos bem atendidos mesmo não tendo optado por comer mariscos e peixes os quais foram trocados por uma boa carne acompanhada de una rica botilla de vinho tinto (por sinal o Sr. Sanderson que não tomava vinho agora já esta se acostumando e pensa até em ser enólogo).

Agora estamos no Hotel de onde acabei de ligar para minha amada esposa Márcia e após encerrar esta narração iremos descansar para estarmos preparados para o dia o dia de amanha.

08/08/2006

Neste dia levantamos mais cedo com a idéia de conhecermos a Península Valdez e na continuidade do dia viajarmos até Comodoro Rivadavia.

Saímos com 3.182 km no hodômetro do Jeep às 07:40 horas. O dia ainda estava escuro e fomos em direção a Península Valdez, onde chegamos próximo das 09:00 horas entrando e passando no Pedágio a um custo de 35 Pesos/Pessoa. Chegamos ao Museo da Península onde tiramos fotos e conhecemos um pouco da história e do tamanho da região, bem como seus animais e seu habitat natural.

Após a passada pelo museu nos dirigimos a Puerto Pirâmides, uma pequena cidade dentro da Península onde se faz o passeio de barco mar adentro para avistar as Baleias Francas, que nesta época do ano estão na região para acasalamento e procriação. Fizemos este passeio num Barco de Jorge Schimidt, passeio este muito bonito e interessante em função da proximidade que os animais chegam dos barcos. Por serem muito curiosas, filmamos e tiramos fotos bem próximos das baleias, inclusive algumas chegavam a passar por baixo do barco nos deixando até apreensivos achando que elas poderiam virar a embarcação pelo tamanho dos animais.

Na continuidade saímos deste passeio e fomos contornar a Península em quase toda sua totalidade. Paramos para almoçar na Caleta Valdez na Estância Elvira, onde pudemos avistar muitos animais da região (leão marinho, pingüins e outros) apesar de que esta não é a melhor época para ver estes animais. Almoçamos um bom carneiro no restaurante desta Estância e continuamos o nosso passeio passando por Punta Delgada saindo da Península próximo das 16:00 horas.
 
Seguimos para a Cidade de Comodoro Rivadavia que estava a uma distancia de 450 km. Chegamos nesta cidade às 20:30 horas, cidade de 180.000 habitantes que estava com quase todos os hotéis lotados. Por muita sorte conseguimos um apartamento no Hotel Azul onde nos hospedamos para pernoitar. Fomos jantar na Pizzaria Julieta onde tomamos um boa garrafa de vinho e comemos uma Pizza de Mussarela/Calabresa para dormirmos tranqüilos.

09/08/2006

Acordamos cedo, tomamos o café no hotel e saímos de Comodoro Rivadavia às 08:00 da manha com 4.017 Km com destino a Rio Gallegos distância prevista de 850 km de viagem e com possibilidade de enfrentarmos neve.

A viagem foi muito boa sem problemas e realmente acabamos pegando neve antes de chegar em Rio Galegos. Na estrada paramos em um Posto de Abastecimento em Piedra Buena e encontramos vestígios de Pontagrossenses que por ali já tinham passado. No vidro do Posto havia adesivos do Terra e Asfalto e do Jeep Club de Ponta Grossa e, com não poderíamos ficar atrás também colamos a nossa marca no vidro do Posto: (Expedição Ushuaia 2006 – Ponta Grossa/Pr).

  Chegamos em Rio Gallegos no final de tarde e nos hospedamos no Hotel Austral. Deixamos nossos equipamentos carregando as baterias e saímos olhar o comércio. Na primeira loja que entramos o vendedor, para nossa surpresa, ao ver minha jaqueta adesivada de logotipos de marca de carros já nos perguntou se era nós que estávamos com um camioneta verde muy hermosa (realmente o Land Rover esta muito bonito e fazendo uma viagem espetacular).

Daqui a pouco eu e o Glay vamos sair para jantar e tomar nossa garrafa de vinho que já está virando praxe antes de retornarmos ao Hotel para descansarmos. No dia de amanha cruzaremos a fronteira do Chile e novamente da Argentina antes de chegarmos a tão esperada cidade de Ushuaia no fim do Mundo.

10/08/2006

Ontem acabamos jantando no restaurante Roca onde comemos uma Parrilla de Cordeiro. Já pela manha deixamos Rio Gallegos as 08:20 com 4.825 Km marcados e fomos em direção ao Chile (Intersecção Austral) onde começou o nosso martírio de Aduanas. A primeira da Argentina foi rápida, mas a segunda para entrarmos no Chile foi muito complicada. Perdemos mais de uma hora com tramitação de documentos e, em função dos chapéus dos Paranaenses um capitão resolveu pedir minha carteira internacional. Eu viajado pelo mundo mostrei a minha carteira de carreteiro e ele nos disse que esta valeria apenas se estivéssemos de caminhão.

Em seguida outro funcionário da Aduana resolveu também nos incomodar, nos fazendo voltar para o final da fila e começar tudo novamente. Só faltou ele pedir para passarmos as malas no raio X (ele chegou a cogitar a idéia) mas acabou ficando com pena dos chapeludos. Na realidade o que se passou foi que, sabendo que estávamos apenas cruzando pelo Chile a fim de retornar a Argentina para podermos chegar ao Ushuaia, os guardas aduaneiros resolveram tornar a viagem um pouco mais complicada.

Saindo em território chileno e preocupado com a carteira de habilitação viajamos um pequeno trecho de asfalto até o Estreito de Magalhães de onde pegamos a balsa e fizemos a travessia (valor de 75 Pesos Argentinos). Saindo ainda em solo chileno rodamos outra pequena parte de asfalto para depois entramos num trecho de ripio com chuva e rodarmos próximo de 120 km de estradas com buracos, alagamentos, muito barro e movimento grande de veículos pesados que retornavam do Ushuaia, até chegarmos novamente na Aduana Chilena e Argentina em San Sebastian. Nestas aduanas foi tudo bem tranqüilo.

Já passando San Sebastian entramos em rodovia asfaltada e viajamos até a Cidade de Rio Grande (até esta hora estávamos sem comer nada, pois o Glay não queria parar) onde paramos para abastecer e lanchar um belo cachorro quente já 17:00 horas da tarde.

De Rio Grande partimos muito preocupados para chegarmos ao Ushuaia pois havíamos sido prevenidos que teríamos trechos com muita neve e gelo ao passarmos a Cordilheira antes de chegarmos ao nosso destino final. Realmente enfrentamos estas condições de estrada, mas com muita precaução, chegamos sãos e salvos no nosso destino, já próximo das 20:00 horas e a 5.408 km longe de casa.

Primeiramente chegamos a uma Hosteria indicada por dois argentinos na fronteira onde não conseguimos lugar para esta noite, mas a proprietária nos indicou uma casa de família num bairro residencial com o nome de Casa Victoriana. Chegando ao local nos deparamos com uma bela casa estilo Victoriano e um casal de Argentinos (Pablo e Carmen) ambos muito simpáticos nos receberam muito bem nos deixando bem a vontade. Assim resolvemos ficar hospedados neste local até irmos embora do Ushuaia, tamanha a hospitalidade do casal.

Após nos instalarmos fomos jantar num restaurante recomendado pelo Pablo de nome Bodegon Fueguino, onde comemos cordeiro e carne vacuna acompanhados de um bom vinho.

11/08/2006

No primeiro dia na Tierra Del Fuego começamos indo ao centro de informações turísticas onde nos programamos sobre o que iríamos fazer em nossa estada nesta cidade. Partimos em direção ao verdadeiro FIM DO MUNDO, ou seja, para o Lago Lapataia que fica no Parque Nacional Tierra Del Fuego.

Entramos no Parque já com muita neve e chegamos ao final da Ruta 3 com 5.452 km cravados no hodômetro do Land Rover. Dali por diante somente águas e a tão esperada Antártida, momento este em que inconscientemente acabamos nos emocionando. Aproveitamos para tirarmos muitas fotos e filmar a região. Retornando dentro do Parque passamos pelo Lago Roco e depois viemos até a Estação do Trem do Fim do Mundo (El Tren Del Fin Del Mundo), local muito bonito de onde parte um trem que faz um trajeto dentro do Parque, que antigamente era utilizado pelos presidiários encarcerados no Fim do Mundo.

De volta à cidade resolvemos conhecer a Glacial Martial. Subimos a cordilheira com bastante neve e chegamos até uma estação de esqui, sendo que dali em diante a única forma de chegarmos próximo ao Glacial era subir em cadeirinhas de esquiadores. Tomados pelo espirito aventureiro lá fomos nós sem roupa adequada e enfrentando uma neve muito forte que estava caindo, o que nos deixou todo molhado e com muito frio.

Chegando ao topo da Estação de Esqui nem pudemos ir até o Glacial, visto que o caminho estava coberto de neve e se tentássemos ir enterraríamos as pernas até o joelho, sem falar das nossas roupas. Descemos novamente nas cadeirinhas abaixo de neve parecendo turistas que nunca foram a uma estação de esqui, pegamos o carro e viemos para cidade tomar um banho quente para nos recompor.

Mais tarde fizemos um tour pela cidade, vendo lojas, tomando café numa cafeteria e acabamos dando uma lavada no Jeep que estava muito sujo (alias quem lavou foi o próprio Glay). Daqui a pouco vamos jantar frutos do mar, também num restaurante recomendado pelo dono da casa (Tia Elvira ou Volver).

Acabamos mesmo indo jantar no restaurante Tia Elvira e comemos um prato típico da região que é um grande siri ou caranguejo chamado Centolla, belo prato que saboreamos com muito gosto antes de dormir.

12/06/2006

Levantamos no horário normal próximo das 08:30 em função do dia amanhecer depois das 09:30 horas. Tomamos nosso café e fomos para o centro da Cidade de Ushuaia comprar os ingressos para o passeio náutico pelo Canal de Beagle, o qual sairia as 15:00 horas.

O dia estava muito frio e nevando. Resolvemos subir a pé a Avenida San Martin onde ficamos fazendo hora enquanto tomávamos um chocolate quente. Compramos alguns souvenirs e depois pegamos o Jeep e fomos conhecer o Aquário da cidade. Lá pudemos ver varias espécies da fauna marítima da região (inclusive a Centolla).
 
Já próximo do horário de saída do barco, um Catamaran muito imponente, voltamos ao Píer para embarcarmos rumo ao esperado passeio. Por coincidência encontramos um casal de brasileiros, mais especificamente de Curitiba formado por um medico, que conhecia vários Pontagrossenses e uma psicóloga.

 No passeio ficamos batendo um papo com o Dr. Fabio Robert e sua amiga Luciana enquanto o barco navegava por varias ilhas no Canal de Beagle, chegando finalmente até o farol da entrada do Porto. Este passeio durou quase três horas, sendo que batemos inumeras fotos e filmamos os animais nas ilhas. Porém, como era de se esperar, estava um frio congelante (o Glay até brincou que se encostasse no pé dele quebrava).

Retornando ao Porto pegamos o carro e demos uma passeada pelo centro (acabamos comprando mais besteiras) antes de jantar num restaurante recomendado pelo Dr. Fabio (Parrilla La Estância), onde comemos cordeiro e carne de gado à vontade por 25 pesos/pessoa e acabamos tomando 02 garrafas de vinho que nos deixaram faladores (mais ainda) e saudosos da família.

13/08/2006

Dia de começarmos a voltar da Província Tierra del Fuego, acordamos no mesmo horário de sempre, arrumamos nossas bagagens e tomamos nosso café da manha. Ao acertar com a Sra. Carmen, ela e seu marido Pablo (casal extremamente simpático) nos pediram para tirarmos fotos com eles junto ao Land Rover, muito apreciado pelo Pablo. Eles queriam saber se era carro de fazermos Expedições para terceiros. Após nos despedirmos dos dois novos amigos proprietários da Casa Victoriana deixamos a cidade de Ushuaia com 5.564 km às 10:20 horas da manha com previsão de passarmos no Cerro Castor (Estação de Esqui) que fica na Cordilheira a 27 Km da cidade, já em direção a cidade de Rio Grande por onde passaríamos.

Como planejado, passamos no Cerro Castor e subimos até a primeira base, de onde não pudemos seguir porque não estávamos com esquis. Notamos que havia muitas equipes de esqui (Suíça, Canadense e outras) e ficamos achando que devia ser um campeonato. O dia estava muito lindo e ensolarado, o que não vimos durante os dias em que ficamos no Ushuaia.

Saindo de Cerro Castor, logo na frente, paramos num Belvedere para tirarmos umas fotos e filmarmos o Lago Escondido. Enfrentamos a Cordilheira com muita neve na pista, mas mesmo assim viajamos até a fronteira onde passamos pelas duas aduanas antes de encaramos os 114 km de estrada de ripio, com buracos e muito barro chegando ao Canal de Magalhães para pegarmos a balsa já no final de tarde. Saindo da balsa pegamos a estrada para Punta Arenas – Chile, onde nos hospedamos no Hotel Tierra Del Fuego.

A noite saímos para jantar e fomos a um restaurante de nome Puerto Viejo, onde comemos um delicioso peixe. A caminhada de volta ao Hotel foi tranqüila, o que nos mostrou em função do horário (próximo das 24:00 horas da noite) que Punta Arenas além de ser uma simpática cidade de 180.000 habitantes é também muita segura.

14/08/2006

Neste dia levantamos bem cedo e após o café fomos dar uma volta pelo centro da Cidade que ainda não estava com muito movimento pelo horário com fuso de uma hora a menos. O comércio estava começando a abrir. Tiramos fotos e filmamos a cidade e em seguida fomos a uma igreja na Praça Principal agradecer a boa viagem que estamos realizando. Punta Arenas nos deixou com muita boa impressão em todos os aspectos. A cidade possui um Zona Franca além de um Porto localizado no Canal de Magalhães que margeia a cidade mais Austral do Ocidente.

Deixamos a simpática cidade às 11:00 horas com 6.226 Km no hodômetro do veículo. Nosso destino era Puerto Natales. Pegamos a rodovia asfaltada e fizemos a viagem apreciando as paisagens e neves no asfalto. De repente tivemos um imprevisto, pois eu não quis abastecer na saída de Punta Arenas (o Glay ainda me falou) achando que o combustível do Jeep daria para fazer esta rota de 250 Km, e quando faltavam 100 Km para chegar em Puerto Natales acendeu a luz espia do tanque de combustível.

Neste momento achamos que não chegaríamos até a cidade e não havia nem sinal de Posto na rodovia. A única alternativa foi tirar o pé do acelerador e rezar. Eu vinha pisando no acelarador como se pisa em ovos (para não quebrar). Este trecho foi bastante tenso, pois pegamos muitas subidas e Natales parecia nunca chegar. Felizmente como nossas orações e como os santos são fortes acabamos chegando somente com dois litros de combustível nesta pequena cidade (Puerto Natales), onde pudemos finalmente abastecer o carro e relaxar tirando algumas fotos do Oceano Pacífico.
 
Após eu e o Glay analisarmos, resolvemos tocar até El Calafate, mais 300 km com estrada de ripio (estrada de pedrinhas muito comum na região) e já em território Argentino. Para nossa surpresa a estrada já estava em grande parte asfaltada, sendo que acabamos pegando somente 77 km de ripio na Ruta 40, os quais estavam cobertos de neve e ótimos para rodar. As paisagens eram magníficas, e em certo ponto da viagem chegamos a parar para o Sr. Glay reunir uma ponta de gado na beira da estrada (não sei se ele queria comprar ou somente analisar o padrão do Gado Argentino). O belo lote de gado saiu da neve e veio cheirar o Jeep, fato este que me fez lembrar do Seu Maneco gritando e chamando seu gado em Tibagi.

Terminando a Ruta 40 sem asfalto chegamos a um entroncamento, a partir do qual esta estrada ficou asfaltada (nota-se que o Governo da Argentina está asfaltando quase todas as estradas da Província de Santa Cruz, pelo turismo que cresce bastante na região e pelo Presidente deste Pais que é desta província). Rodamos então em direção a El Calafate e acabamos passando por um vale que definimos como uma das regiões mais lindas de toda a viagem, parecia cena de cinema.

Chegamos a Calafate num final de tarde muito frio e fomos procurar por um Hotel. Acabamos optando pelo Hotel Michelangelo. Notamos que nesta época de inverno muitos hotéis e restaurantes estavam fechados. À noite fomos ao Restaurante Parrilla Tablita para deliciarmos um bom cordeiro Patagônico. Neste restaurante Glay tirou fotos dos cordeiros assando no fogo de chão para mostrar para o pessoal no Brasil.

15/08/2006

Solicitamos no hotel que nos acordassem às 08:00 horas para sairmos próximo das 09:30 horas quando clareia o dia na região. Nosso destino hoje era o famoso e esperado Glaciar Perito Moreno que fica a uma distância de 90 km da cidade dentro do Parque Nacional dos Glaciares. A estrada era quase toda asfaltada e chegamos às 10:30 horas no local.

Nosso primeiro passo foi comprarmos um passeio de barco que nos levou embaixo do paredão de gelo do Glaciar Perito Moreno. É impressionante os blocos de gelo que tem altura média de 55 metros e se estendem por 14 km de largura. Esta visão realmente nos impressionou muito deixando este passeio maravilhoso e quem puder ter a possibilidade de conhecer o Perito Moreno não pode deixar de visitá-lo, é uma visão ímpar. Terminando o passeio de Barco pegamos o carro e fomos até as passarelas que nos deram uma visão do outro lado do Glaciar de onde tiramos muitas fotos e filmamos muito chegando a ver alguns desprendimentos de blocos de gelo do glaciar que impressionam pelo barulho que fazem.

Esta visita é coisa de cinema e não temos palavras para descrever. Somente vendo para saber a beleza deste local. Depois retornamos à cidade para darmos uma volta no comércio (mesmo fora de temporada muito caro) aonde vimos algumas pessoas patinar no gelo do Lago Argentino que estava com as bordas congeladas e permitindo que as pessoas entrassem a mais de 500 metros da margem.

16/08/2006

Ontem a noite ainda fomos ao restaurante Tablita e comemos uma gostosa carne de gado chamado vazio. Hoje pela manha acordamos às 08:00 horas já sabendo que teríamos de enfrentar a Ruta 40, famosa pela suas paisagens como também pelas dificuldades que ela impõe. Partimos com 6.902 km no hodômetro às 09:50 horas da manha rodando mais ou menos 30 km de asfalto de Calafate até chegarmos a Ruta 40 onde iniciamos nossa aventura.

Nos primeiros quilômetros já encontramos um trecho de asfalto até Três Lagos percorrendo 135 km de estrada boa. Neste local existe um Posto de Abastecimento onde completamos o tanque do Jeep e fomos informado que o próximo Posto seria a 350 km de distancia Dali para frente a estrada virou somente de ripio e nesta época do ano ela estava em todo o seu trecho coberto de neve, chegamos a enfrentar trechos com quase meio metro de neve onde dirigíamos com bastante cuidado e necessitando forçar o Jeep em algumas rampas nevadas.

Esta estrada realmente é de uma beleza indescritível (vales, rios, platôs e outros). Viajamos sempre acompanhando a Cordilheira dos Andes, neste trecho rodamos 450 km de ripio e recomendamos que nesta época de inverno esta viagem seja realizada com veiculo 4X4 e com correntes, caso necessário. Para carros 4X2 recomendamos que estejam com correntes já instaladas, pois existem trechos difíceis de cortar a pista com neve.

Nossa previsão era de chegarmos hoje em Esquel, mas acabamos conseguindo chegar até Perito Moreno com cerca de 650 km já no inicio da noite. Pedimos informação num Posto de Abastecimento em Perito Moreno e nos informaram que a Ruta 40 para frente (em direção a Rio Mayo) estava com muita neve e gelo (embora eles não tivessem visto o Land Rover). No entanto, com estava anoitecendo e já muito frio achamos conveniente pernoitarmos nesta cidade e seguirmos amanha cedo pela mesma Ruta 40 sabendo que iríamos enfrentar muita neve/gelo, mas que seria recompensada pela paisagem belíssima. Desta forma nos hospedamos no Hotel Americano em Perito Moreno.

Fazendo uma análise deste trecho de El Calafate até Perito Moreno, concluímos realmente que quem gosta de aventura e desafio tem que conhecer a Ruta 40, mas que precisa estar bem equipado com um veículo em boas condições e de preferência, no inverno, um 4X4. Esta estrada tem poucos pontos de assistência e de abastecimento, o que fez com que chegássemos a Perito Moreno com o tanque quase vazio por não encontrarmos aberto o segundo ponto de abastecimento.

17/08/2006

Dormirmos em Perito Moreno foi com certeza a mais acertada. Ao tomarmos café no Hotel perguntamos a proprietária a distância e situação da Ruta 40 de Perito Moreno a Rio Mayo. A senhora, muito simpática, nos recomendou que em função da neve dos últimos dias era melhor que não fossemos por este caminho, mas que desviássemos pelo asfalto o que nos aumentaria cerca de 400 km. Ela então nos perguntou de onde vínhamos. Foi quando informamos que tínhamos vindo de El Calafate pela Ruta 40. Então, espantada, a simpática Senhora nos respondeu com firmeza: Então podem ir pela Ruta 40 que vocês passam.

Após nosso diálogo com a proprietária do Hotel, saímos de Perito Moreno com 7.548 km no hodômetro do carro às 09:15 horas da manha já com o dia claro. Rodamos 10 km de asfalto e retornamos a Ruta 40 notando que éramos o único carro que tinha entrado nesta via. Na entrada encontramos uma motoniveladora também no nosso caminho, e a medida que rodávamos notávamos um pequeno rastro de um veículo sendo que as condições começavam a ficar cada vez piores. Imagine se tivéssemos entrado ontem a noite para passarmos estes 140 km de Perito Moreno a Rio Mayo. Com certeza teríamos tido problemas e dificuldades para passarmos, visto que a neve era muito alta e quase não se sabia onde estava a estrada.

Após rodarmos uns 50 quilômetros na Ruta 40 finalmente avistamos longe um objeto no meio da estrada não sabíamos se era um animal ou alguma outra coisa, para nós era um pequeno ponto no meio daquele branco total. A medida que fomos chegando próximo vimos que era um veiculo (o rastro que tínhamos visto era dele), uma pick–up Ford F-100 que estava patinando no meio da neve sem condições de continuar. Passamos pelo mesmo com dificuldade e paramos pensando em ajudá-lo. Para nossa surpresa, o motorista que dirigia este carro sozinho não nos deu atenção e continuou patinando com seu carro. O Glay desceu por duas vezes com muito frio fazendo sinal que poderíamos rebocar seu carro, mas ele nem nos respondeu.

 A partir deste ponto a estrada foi ficando pior eu cheguei a pensar em voltar para rebocar o veículo do Argentino, mas já estávamos precisando até a reduzir o Jeep para passar em alguns trechos que nos dava a sensação de estarmos patrolando a neve de tão alta e pesada que estava.

Não recomendamos esta estrada para veículos 4X4 sem pneus borrachudos ou sem correntes. Realmente a neve pesa muito e acaba fazendo o veículo perder velocidade e patinar formando gelo nos pneus e na camada abaixo da neve. Chegamos a Rio Mayo as 11:45 horas com 7.682 km entrando em rodovia de asfalto mas com muito gelo e neve. Neste início de viagem passei o carro para o Glay. Um pouco a diante ele já cruzou um caminhão Chileno, partindo o vidro do carro com uma pedra que o caminhão nos jogou.

Continuamos a viagem com asfalto de má qualidade até chegarmos a Esquel às 16:30 horas com 8.090 km percorridos. Demos uma parada na cidade onde fizemos um lanche, demos alguns telefonemas e partimos para El Bolson pela mesma estrada que vai a Bariloche, com paisagens belíssimas da Cordilheira. Nossa idéia era pernoitarmos em Bolson. Chegamos lá às 19:30 horas e nos hospedamos no Hotel Hielo Azul. Amanha partiremos cedo para Bariloche. Minha única preocupação é de que está chegando o final de semana e nestas cidades turísticas fica um pouco complicado arrumar hospedagem.

18/08/2006

Ontem fomos jantar no Pátio Venzano, um restaurante muito bem indicado pelo rapaz do hotel. Saímos pela manha em direção a Bariloche com 8.278 km cravados no hodômetro da máquina, pegamos a Ruta 40 em boas condições e uma paisagem belíssima neste trecho até Bariloche, chegando próximo das 12:00 horas (8.401 km). Fomos direto procurar Hotel, os primeiros estavam todos lotados o que nos preocupou um pouco por ser uma sexta feira. Mas em seguida encontramos um hotel bem central com cochera e tudo e logo resolvemos nos instalar (Hotel Central).

Deixamos nossas malas e fomos conhecer, ou melhor, levar o Sr. Glay para conhecer a cidade. O primeiro local foi o Hotel Llao Llao, o qual deixou o Glay impressionado. Tivemos a oportunidade de conhecer o Hotel por dentro, tiramos fotos e então nos levaram até o Campo de Golfe, já que nos mostramos interessado em nos hospedar para jogarmos golfe (quem vê pensa).

Retornando, demos uma volta pelo centro da cidade e fomos ao Cerro Catedral, o qual estava muito agitado por jovens esquiando. Em função das nevascas caídas em dias anteriores o local estava realmente cheio e muito bonito. Acabamos ficando somente na base, onde fizemos um lanche e na saída o Seu Cláudio (que não tem dirigido quase nada) ainda foi fazer um test-drive em uma F-100 4X4 cabine dupla e diesel, mostrando aos Argentinos que nos acompanharam com se toca um carro na neve. Aliás, este carro é fabricado no Brasil como F-250 lançamento da Ford, com novo motor de 04 cilindros.

De volta do Cerro deixamos o Jeep no Hotel e visitamos o centro da cidade a pé, jantando no Boliche do Alberto (Restaurante muito famoso e disputado) com espera de mais de meia hora. No jantar conhecemos um casal simpático de São Paulo e no bate papo fomos descobrir que a mãe do rapaz era Tibagiana, inclusive chegamos a tratar e fazer contato comercial para a Simone e o Fabio, pois eles têm uma confecção de moda jovem (franquia Americana) com 17 lojas próprias e diversas franquias.

19/08/2006

Neste dia levantamos cedo e fomos conhecer o Cerro Piedras Blancas e em seguida o Cerro Oto, que nos deixou impressionado por ser dirigido por uma Fundação e seus lucros serem distribuídos para varias entidades filantrópicas da cidade e do País, tudo isto deixado por um milionário argentino de origem Judaica. No Cerro Oto pode-se ver quase todas as obras (cópias é claro) de Michelangelo em quadros e esculturas e também tem um restaurante rotatório na Torre do Cerro com visão total da região.

Na parte da tarde percorremos novamente o Centro da Cidade entrando em lojas como costumam fazer nossas esposas, mas não comprando quase nada. A noite fomos jantar no Restaurante Jao Jao outra boa opção da cidade, onde comemos peixe (trucha al limon) acompanhado de um bom vinho argentino.

20/08/2006

Deixamos Bariloche pela manha com 8.508 km com destino a Villa La Angostura e San Martin de Los Andes. Chegamos a Angostura, cidade pequena e agradável (fica ainda no Lago Nauel Huapi o mesmo de Bariloche) com um comércio forte e em crescimento e mansões belíssimas ao redor do lago. Este é  realmente um charme de lugar.

Em seguida partimos para  a tão famosa San Martin de Los Andes pela estrada dos Sietes Lagos, com um visual maravilhoso e com espírito aventureiro, principalmente para veículos 4X4 em dias de chuva e neve, visto que esta ruta estava muito barrenta nos primeiros 40 quilômetros de ripio (dentro do Parque Nacional dos Sietes Lagos). Depois ao pegarmos asfalto tivemos de trafegar em meia pista, pois o restante estava coberto com mais de um metro de neve devido às nevascas da semana anterior.

Finalmente chegamos a belíssima San Martin em torno das 15:00 horas com 8.705 km. Demos uma pequena volta na cidade considerada pelo Glay como a cidade mais bonita que tínhamos passado em toda a viagem e fomos as Cabanas Las Rosas procurar nosso amigo Daniel. Por ele ficamos sabendo que este final de semana era prolongado na Argentina e a cidade estava cheia (inclusive seu Hotel estava lotado). Pessoa sempre muito simpatica o Daniel começou a ligar para as Hosterias da cidade procurando acomodação para nós, já conseguindo na Hosteria Anay bem no centrinho das Lojas de San Martin (as mulheres iriam gostar muito).

À noite fomos locar los equipos para esquiar no dia seguinte. Demos uma volta na cidade que me deixou impressionado pela mudança na área comercial no prazo de apenas um ano. É nítido o crescimento do pitoresco lugar. Depois fomos jantar no famoso Posta Criolla que também esta em outro local, bem maior e mais charmoso (comemos chivitos e parrilla).

21/08/2006

Este dia nosso programa em San Martin não poderia ser outro se não esquiar. Subimos ao Cerro Chapelco trajados bem no tipo e lá fui eu dar a famosa aula inaugural de esqui para o Glay. Imaginem vocês que no final de tarde ele já desceu todo o caminito até a base final.

Nosso querido Chapelco estava hoje maravilhoso para se esquiar, com muito sol e bastante neve (nada de gelo). Esquiamos a tarde toda e o meu amigo Glay chegou pedindo água e dorflex, mas sabe que ele deu conta do recado saindo-se muito melhor do que o esperado. Sentimos falta dos nossos companheiros e familiares por não estarem juntos conosco curtindo este belíssimo dia de esqui.

Após todo esse exercício fomos dar uma volta no comércio. Em seguida fomos jantar no Restaurante Tasca, opção peixes e outros e acabamos comendo uma deliciosa trucha.

22/08/2006

Acordamos todo doído do esqui do dia anterior, mas novamente subimos o Cerro Chapelco para mais um dia de muito sol. Novamente as pistas estavam ótimas com bastante neve e sem muito movimento (tinha muita gente mas não como nas férias e no dia anterior). Fui forçando o Glay como meus filhos sempre fazem comigo e acabei levando ele para segunda base com a desculpa de tirarmos fotos no alto de onde aparecem os Vulcões Lanin e Villarrica.

O problema foi na hora de ele descer, mas acabamos achando um novo Caminito e por lá fomos deslizando e descendo bem, tanto que ele queria subir novamente nesta pista. Aproveitamos bem a tarde e no final eu acabei descendo sozinho pelo Caminito enquanto o Glay desceu de bondinho, pois estava com as pernas bambas de tanto exercício.

Chegando a cidade fomos as ultimas compras antes de jantarmos mais uma vez no Posta Criolla, que por sinal para mim é o melhor restaurante de San Martin. Comemos carne de gado e carneiro e tomamos o vinho recomendado pelo Marcio (Escuhuela Família Gascon), uma ótima escolha para o ultimo dia de San Martin.

23/08/2006

Levantamos prontos para viajar, mas conseguimos sair somente às 11:20 horas, pois estivemos entregando os esquis e apanhando as compras feitas na noite anterior. Saímos de San Martin com 8.865 km. Tocamos quase que direto (demos somente uma parada para abastecimento no Posto que vende diesel por gasolina para o Fabio) e chegamos a Santa Rosa às 22:00 horas da noite com 9.855 km, totalizando 990 km do meio dia até esta hora. Em Santa Rosa nos hospedamos no Hotel Cuprum que por sinal muito bom e já nosso conhecido de outras passagens.

24/08/2006

Partimos de Santa Rosa às 09:45 horas com 9.855 km e o destino previsto para o dia seria a Cidade de Paraná na Província de Entre Rios. Chegamos próximo das 20:00 horas com 10.748 km em condições até de viajar mais chegando provavelmente a Uruguaiana. No entanto achamos que estaríamos forçando muito a viagem e dormimos no Hotel Posta do Sol em Paraná.

25/08/2006

Saímos pela manha de Paraná com pensamento de chegarmos hoje em Ponta Grossa. Passamos a Aduana em Uruguaiana às 14:00 horas e almoçamos nesta cidade que o Glay queria rever. Após almoçarmos, saímos em direção a São Borja e com 11.275 km marcados no Land Rover, mas para nossa surpresa e decepção às 15:30 horas ele nos deixou na mão na Rodovia BR 472, km 508. Isto foi provavelmente por elogiarmos muito o verdão que acabou chegando a São Borja garupado num Fuscão de Plataforma de socorro, nos obrigando a ficar em São Borja por esta noite para amanha cedo verificarmos na Ford qual foi sua avaria.

26/08/2006

            Saímos cedo do Hotel e fomos à revenda Ford verificar o problema que ocorreu com o Land. Após verificado ficou constatado que tinha estragado a correia dentada, a qual foi trocada para terminarmos nossa viagem e chegarmos a Ponta Grossa. De São Borja saímos próximo da hora do almoço e viemos via Passo Fundo/RS até entrarmos em Santa Catarina e posteriormente Paraná.
           
Chegamos a Ponta Grossa no final da noite finalizando esta longa e histórica viagem com exatamente 12.357 km rodados e com muitas histórias para contar.
Esta fantástica viagem no período invernal da América do Sul eu recomendo a todos os aventureiros e pessoas que gostam de lindas paisagens e lugares poucos comuns e inimagináveis. No entanto recomendamos que seja realizada se possível por mais de um veículo (ideal em duplas de veículos), 4X4 e em bom estado de conservação. Além disso, trata-se de uma viagem mais indicada para adultos sem crianças.

Tivemos trechos de 400 km de estradas de ripio/terra em que não tínhamos ponto nenhum de assistência e até com problemas de abastecimento (Ruta 40 Sul da Argentina) e totalmente coberta de neve sem nenhum sinal de tráfego de outro veículo sequer (a maioria dos veículos trafegam pela região utilizando outra estrada de asfalto que acaba aumentando o trajeto em cerca de mais de 500 km).

Finalmente gostaríamos de agradecer todos aqueles que apoiaram de uma maneira ou de outra a preparação e a realização desta aventura pela Tierra del Fuego.

Texto e fotos de Cláudio Costa Teixeira & Sanderson Glay

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