Diario de Bordo 02 - 16 de julho de 2003

 


Caminho para Antillanca

Como falava no diário anterior, pegamos uma chuva que não nos deu trégua em terras chilenas. Todo o tempo que passamos em Pucón, cerca de 1 dia e meio, simplesmente não conseguimos enxergar o vulcão Vilarrica de jeito nenhum. Frustrados, seguimos até Puerto Montt para mais uma vez visitar a simpática cidade a beira do golfo de Ancud no oceano Pacífico. No caminho tínhamos a esperança de poder avistar o vulcão Osorno, mas nada da chuva e a neblina darem folga. Visitamos o mercado de Angelmo onde almoçamos frutos do mar e após uma volta, resolvemos seguir para a Argentina, seguindo para o Paso Cardenal Saimoré, o mais perto de Bariloche e Villa La Angostura.


Antillanca

Como já estava escurecendo, quando passamos por Puyehue uma pequena cidade a beira de um lago, resolvemos pernoitar, pois a paisagem da estrada é belíssima e passar a noite seria um pecado. No dia seguinte acordamos ainda no escuro (apesar que aqui as nove horas da manhã está começando a clarear), e fomos seguindo em direção a Argentina. No caminho resolvemos pegar uma bifurcação que nos levou a estação de esqui de Antillanca. O sol resolveu aparecer quando estávamos subindo para a estação por uma estradinha que a medida que se sobe a montanha vai ficando branca de neve. Muito bacana tanto o caminho quanto a estação de esqui. Após algumas fotos voltamos e seguimos para a fronteira e pouco depois estávamos cruzando os Andes e voltando para a Argentina.


PN Los Alerces

Esta estrada que liga os dois países é fantástica. O visual é divino com as árvores todas brancas de neve, montanhas e lagos. Tanto que nos países a região é parque nacional. No Chile PN Puyehue e na Argentina PN Nahuel Hualpi. Vale apena rodar tanto só para ver esta paisagem, esta é a conclusão que chego.

Paramos para pernoitar em Villa La Angostura, uma simpática cidadezinha a beira do lago Nahuel Hualpi e base para a estação de esqui Cerro Bayo. Encontramos muitos basileiros pela cidade e também na estação de esqui que no final da tarde fomos conhecer. Achei Antillanca bem mais interessante e com muito menos gente.


PN Los Alerces

Como a nossa programação inicial já não valia mais nada, resolvemos mudar ainda mais o roteiro e ao invés de subir novamente para Junin de Los Andes e seguir até San Rafael mais ao norte, resolvemos seguir ainda mais ao sul, passando por regiões que ainda não conhecíamos. Fomos a Bariloche para uma passada rápida e como no ano passado estava lotada de turistas, tomamos um chocolate quente e pegamos novamente a estrada rumo ao sul, seguindo para El Bolson, Esquel e Trevellin de onde escrevo este diário. Saindo de Barioche a paisagem é muito bonita com lagos e montanhas com os cumes cobertos de neve. A medida que se desce a paisagem vai se tornando mais árida, sem árvores e com vegetação baixa. A partir de 


Caminho para El Bolson

El Bolson se entra na província de Chubut e assim como se muda de estado a paisagem acompanha, se tornando um deserto montanhoso, com os cumes das montanhas com neve, longas retas e pouco movimento de veículos. Um visual diferente mas nem por isto menos interessante e bonito que os anteriores.

Chegando em Esquel a polícia Argentina resolveu nos incomodar, e pediram todos os documentos possíveis e imagináveis. Quando viram que estávamos com todos eles em perfeita ordem, inclusive com a carta verde (documento necessário para circular no Mercosul), resolveram tirar um sarro da minha cara por causa da vitória do Boca Juniors sobre o Santos na Libertadores. Fiquei na minha, pois podem tirar o sarro que quiserem mas pentacampeão mundial só tem um...


Paisagem árida em Esquel

De Esquel fomos conhecer o PN de los Alerces, um tipo de conífera da região. O parque tem um visual bem interessante. Como já estava escurecendo, seguimos a Trevellin, uma pequena cidade de colonização galesa, famosa pelas suas casa de chá. Fomos agora a noite provar o tal chá, pois nos falaram maravilhas dele. Sinceramente qualquer café do Brasil é mil vezes melhor, mais farto e mais barato que o tal chá.


Cerro Bayo

No mais o tempo melhorou e estamos torcendo para que continue assim. A neve está pouca nesta temporada, em abundância somente no alto das montanhas e nos centros de esqui e além desta ser a latitude mais baixa que andamos até agora, já rodamos mais de 4.000 quilômetros e a Ranger está como saiu de casa sem apresentar nenhuma problema e ainda não sabemos bem para onde vamos daqui. Para mudar radicalmente o roteiro estamos pensando seriamente em pegar rumo a leste e irmos para a Península Valdez, onde agora é a época de avistar as baleias francas. Numa destas trocamos a neve pelas baleias e os Andes pelo Atlântico Sul.

Um abraço e até o próximo diário.

 


Fim de tarde em La Angostura

 


Branco na estrada

 


Visual branco

 

Diário de bordo 01 - Pucón - Chile, 13 de julho de 2003

Diário de Bordo 03 - Península Valdez

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