Mais uma vez nesta encantadora cidade, aos pés do vulcão Vilarrica. Mais uma vez viajando pelas estradas da Patagônia. Só que esta vez, a viagem é especial. Especial porque todos os meses de planejamento meu e do Fábio meu companheiro de aventuras acabaram indo por água abaixo. Desde que voltamos da primeira expedição à Patagônia no inverno passado estamos combinando de voltar a estes lugares maravilhosos com calma e com as nossas esposas. Fazer uma viagem mais contemplativa e tranqüila, sem a pressão de enviar informações para o site todos os dias e o cumprimento de um roteiro definido a risca. Em abril já tínhamos marcado a data da saída, que seria no dia 10 de julho.

Quarta feira, 9 de julho 5 horas da tarde. Carros revisados, documentos e equipamentos prontos, só faltando encher os tanques, colocar tudo nos veículos e sair para a estrada. Meu celular toca, é o Fabio me falando que não poderia mais ir por problemas de saúde com a Ana sua esposa, que deveria ficar em repouso absoluto por recomendação médica, pois ela está no inicio de uma gravidez.

Na hora o chão faltou para mim. Fazer o que? Como não adiantaria nada adiar a saída, eu e a Fátima, minha esposa, tínhamos duas opções ou desistir da viagem também ou seguirmos sozinhos. É claro que seguimos sozinhos! Até assimilarmos a idéia da viagem com apenas um veículo e apenas nós dois ficamos meio cabreiros, mas foi por pouco tempo. Logo após sairmos e a medida que os quilômetros começavam a aumentar no odômetro da Ranger fomos saboreando a nossa aventura. Nesta altura mudei toda a programação e o roteiro da viagem, procurando chegar mais rápido nos lugares que gostei mais no roteiro do ano passado. Também a viagem está rendendo muito pois chegamos a rodar mais de 1000 quilômetros por dia e devido a isto em apenas 4 dias de viagem já estamos em Pucón no Chile.

No fundo, apenas nós dois nesta aventura, está sendo muito bacana. Perdemos a companhia e a segurança de estarmos com dois veículos, mas ganhamos a liberdade de fazer tudo como quisermos. Ficando onde gostamos mais e o tempo que queremos ficar, sem muitas conversas e negociações que são tão comuns nestas viagens. Seria ótimo que o Fabio e a Ana estivessem conosco aqui, mas já que não deu certo, vamos relaxar e aproveitar esta louca viagem. Quanto a viajar com apenas um veículo é claro que não recomendo para ninguém, mas como a minha Ford Ranger,companheira de todas as viagens nunca me deixou na mão e foi completamente revisada pelo pessoal da Ford, tenho a certeza que não irei me incomodar com ela. No mais é só cuidar para não entrar em nenhuma roubada e seguir em frente. 

Quero aproveitar para agradecer ao todo o pessoal da Ford, da Autoponta e da Slavieiro que deixaram a Ranger como nova, e olha que ela já esta com mais de 130.000 quilômetros de estrada e se não tivesse tanta confiança nela e na equipe que cuidou dela, não tiraria ela da garagem de casa para me aventurar com a minha esposa nesta região.

Após 3 dias de viagem alucinantes onde fizemos cerca de 3.000 quilômetros ontem a noite estávamos em Piedra Del Aguila já na Patagônia, jantando divinamente no restaurante La Posta, onde comi as melhores empanadas de toda a Argentina. No ano passado por uma casualidade paramos no local e fiquei surpreso com a qualidade do lugar. Gostei tanto que dei um jeitinho de estar lá a noite para repetir a dose.

Dormimos ontem em Piedra Del Aguila e hoje bem cedo já estávamos a caminho de Junin de Los Andes, onde chegamos cedo e as margens do lago Huechulafquen com o visual do vulcão Lanin, tomávamos o nosso café. Enquanto isto eu tentava definir o que seria melhor: seguir para Pucón ou fazer a Rota dos Sete lagos e ir para La Angostura outro lugar muito legal que com certeza ainda chegaremos nesta viagem. Resolvi seguir para a Rota dos Sete lagos para conhecer, pois no ano passado passamos por ela, mas debaixo de uma nevasca enorme e não conseguimos ver quase nada. Depois de dar uma circulada pelas estradinhas em torno do lago, tentando uma boa foto do vulcão que teimava em ficar escondido nas nuvens, voltamos a Junin onde abasteci e fui me informar da Rota, pois antes de sair tinha a informação que ela estava intransitável. No posto policial de Junin me informam que realmente não tinha como passar por lá, devido a uma ponte que caiu com a enchente de um rio. Bem se não dá para seguir por lá, vamos por cá e assim seguimos para Pucón no Chile.

Bastou atravessar a fronteira e o Chile nos recebeu com uma chuva imensa. Para se ter uma idéia, fomos até o vulcão Vilarrica e simplesmente não conseguimos enxergar o dito cujo do vulcão devido a neblina. Vamos ver se amanhã temos sorte e amanhece um dia mais bonito. O que está chamando a atenção é que este ano não tem tanta neve ainda se compararmos com o ano passado e Pucón está quase sem movimento nenhum talvez por causa da chuva. No mais o Chile continua muito caro para nós brasileiros e os preços na Argentina estão muito bons, praticamente iguais aos do Brasil. Chile com chuva, pouca neve e caro. Argentina barata, estou achando que logo estamos de volta a terra dos nossos vizinhos.

Já estava esquecendo de dizer que na vinda passamos por São Miguel das Missões para ver aquela beleza que é a redução de São Miguel. Não tem como passar a poucos quilômetros de lá e não dar uma parada para umas fotos.

Um abraço a todos e até o próximo diário.

 

Diario de Bordo 02
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Diário de bordo 03 - Península Valdez

 

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