Pé
na estrada
Primeira
viagem ao exterior
Para muitas pessoas,
fazer uma viagem para o exterior é algo comum, para nós foi uma
aventura inesquecível. Em Janeiro de 1998, eu e minha irmã Marize
começamos a trabalhar como Distribuidoras Independentes de uma
Multinacional Americana de Produtos de Nutrição, Controle de Peso
e Cuidados Pessoais. Como eu precisava urgentemente emagrecer 50
quilos me entusiasmei com a idéia de conseguir.
Bem, esta empresa é
muito organizada e mantém um cronograma de treinamentos em 49
países, na época eram 37, para que possamos desenvolver bem o
nosso trabalho. Em Maio de 1998, veio a notícia, um grande
treinamento com o fundador e líder mundial da empresa, em
Barcelona, na Espanha. Neste treinamento estariam reunidos 20
países europeus, ficamos entusiasmadas com a perspectiva de fazer
uma viagem ao exterior, mas o problema é que não falamos nenhuma
outra língua, só Português, e olha lá!!!
Depois de pensar um
pouco resolvemos ir, seria emocionante conhecer uma outra cultura,
diferente da nossa. Convidamos duas primas, a Lucila e a Sandra Mara
e duas amigas, a Carmen e a Gisele que também já faziam parte da
empresa, providenciamos os passaportes. Nos juntamos a um grupo de
mais 29 pessoas e contratamos uma empresa de turismo, que deveria
providenciar a viagem, fizemos o depósito do valor solicitado, pois
a viagem era por conta de cada um, arrumamos as malas e partimos de
Ponta Grossa para Curitiba em 10 pessoas, no aeroporto retiramos as
passagens, nos juntamos aos outros e partimos para São Paulo, num
vôo da VARIG. Em São Paulo embarcamos em um vôo da SPANAIR, com
destino a Madrid.
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Essa foto foi tirada em Madrid, na Espanha, em frente ao edifício
que fazia parte da propaganda do Rider, o chinelo passava
voando em frente a ele. Só descobri depois que voltei ao
Brasil e vi a propaganda na TV.
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No
avião, as primeiras cenas divertidas
Eu já havia viajado de
avião, mas a maioria dos colegas não, minha irmã é muito
friorenta e como era mês de junho, ela saiu de casa bem agasalhada,
ao entrar no avião sentiu muito calor e queria trocar de blusa, mas
a comissária de bordo (espanhola) não entendia nada do que ela
falava e ela gesticulava nervosa "Estou com calor, calor,
calor, quero trocar...", quando a moça entendeu, aí era ela
que não entendia a moça, que dizia que era preciso esperar a
decolagem para poder ir ao toalete.
Outra cena no avião,
a Lucila, minha prima, foi ao toalete e saiu de lá assustada com a
descarga: "Pensei que fosse me sugar pra dentro, aquela
coisa" .
Desembarcamos em
Madrid, carimbamos o passaporte, até aí tudo bem, agora começa a
aventura.
Deveria haver um
ônibus para nos levar ao hotel, não tinha, alugamos algumas Vans,
que nos levaram. O imprevisto foi logo esquecido e aproveitamos bem
os 3 dias em Madrid, conhecemos muitos lugares importantes, fomos
até Toledo, uma cidade medieval linda, só faltaram os cavaleiros
de armaduras para o filme ficar completo.
Em Madrid, mais cenas,
a Lucila e a Marize não conseguiam descobrir como funcionava a
descarga, tinha que puxar para cima, bem diferente das nossas, e o
chuveiro, eles usam um chuveiro de mão que pode ser pendurado em um
gancho na parede, até elas descobrirem, tomaram banho segurando o
chuveirinho e para lavar os cabelos uma ajudou a outra, depois de
descobrirem foi a maior farra.
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Toledo, na Espanha, é uma cidade medieval linda, para o filme
ficar completo só faltaram os cavaleiros de armadura. |
Embarcamos, então,
para Barcelona, e novamente não havia o ônibus para nos levar até
o hotel, aliás, não havia nem hotel reservado para nós, desta vez
pegamos um ônibus circular que nos deixou na Praça de Espanha,
próxima à Vila Olímpica, onde se realizaram as Olimpíadas de 92
e onde seria o nosso evento.
Nesta praça ficamos
por umas 3 horas, sentados sobre as malas, enquanto nosso amigo
Sérgio Baggio (um amigo fantástico, se não fosse ele talvez
tivéssemos dormido na praça mesmo), entrava em contato com a
organização do evento, para achar um hotel e conseguir um ônibus
para nos levar, fiquei muito nervosa, chorei, fiquei em desespero
mesmo, pois comigo havia três pessoas, a Marize, a Lucila e a
Sandra Mara(que era de menor), pelas quais eu me sentia
responsável.
Em Barcelona era
verão, mas para nós, estava bem frio, uns 15 graus, mais ou menos,
o tempo estava mudando para chuva e nós no meio da praça, sem ter
onde se esconder. Todo mundo começou a sentir frio e foi um tal de
abrir malas para procurar casacos, até trocar de roupa no meio da
praça. Fizemos uma rodinha para uma colega trocar saias por
calças.
Nos mesmos dias havia
um grande congresso médico e não foi fácil achar um hotel livre.
No final da tarde conseguimos o hotel, mas era bem longe, alugamos o
ônibus e lá fomos nós.
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Barcelona - Esta foto é bastante especial, pois estamos
novamente em uma Olimpíada, e esta é a Pira Olímpica de
Barcelona, na Vila Olímpica, onde foram realizadas as Olimpíadas
de 92, eu conheci em Junho de 1998
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O Hotel Taurus, em
Pineda del Mar, era na praia, Mar Mediterrâneo , lindíssimo, super
confortável, mas ainda apareceu mais um probleminha, precisávamos
pagar mais U$ 50,00 (cinqüenta dólares) por pessoa, tudo bem,
pagamos e nos acomodamos. A primeira coisa a fazer, tomar um banho
quentinho para poder dormir e descansar bem. Nossos apartamentos
tinham uma bela banheira e o sistema de aquecimento de água era
fantástico, a Carmen levou café solúvel, fazia café com a água
da torneira.
Vamos ao banho, eu e
minha irmã estávamos em apartamentos separados e deixamos nossas
companheiras tomarem banho primeiro e depois enchemos as banheiras e
nos deliciamos num banho, mas o que nós não sabíamos é que não
estava tão frio como nós estávamos sentindo. A Marize tem a pele
bem clara, ela é loira, e saiu do banho igual um pimentão de
vermelha, eu tenho a pele morena então não apareceu como ela, mas
o mais divertido é que nem uma das duas conseguia dormir de calor,
demos algumas risadas.
Só que o hotel era
bastante longe da Vila Olímpica, todo dia era 1 hora de trem e mais
20 minutos de ônibus para chegar, este transporte foi providenciado
pela organização do evento, os trens de Barcelona não têm nada a
ver com os nossos, são super limpos, confortáveis, com música
ambiente e banheiros em todos os vagões.
Nos divertimos muito
nas viagens de trem, pois o trem passava beirando as praias de
Barcelona , o cenário era lindo, mas uma surpresa nos esperava, os
trajes de banho, mulheres só com a parte de cima e muitas, mas
muitas pessoas mesmo, completamente nuas, numa boa andando pela
praia, pescando, tomando sol. Foi uma farra total, todo mundo queria
viajar do lado do trem que dava para a areia. Mas nos disseram que
lá isto é normal, em um dos dias havia um grupo de holandeses no
mesmo vagão que nós, e eles olhavam assustados a nossa bagunça,
pois brasileiro onde chega chama a atenção. Bem isto são coisas
de caipiras deslumbrados, pois para a maioria, ou quase todos, era a
primeira vez que saíam do Brasil
Apesar da distância e
do cansaço, nos divertimos muito nas viagens de trem, brasileiro é
craque em dar a volta por cima ,e rapidamente, todos os problemas
foram esquecidos e aproveitamos o máximo do nosso evento, do hotel,
da companhia de nossos amigos.
Chegou a hora de
voltar, lá vamos nós, malas prontas, fomos para o evento, e um
carro foi contratado para levar as malas para o aeroporto, alguns
embarcariam antes para Madrid, outros em outro vôo.
Bem, a primeira turma
foi para o aeroporto com as malas, mas teve que embarcar e nossas
malas ficaram sozinhas, abandonadas no saguão do aeroporto, me
contaram que a Elaine, esposa do Sérgio, chorava e não queria
embarcar para não deixar nossas malas.
Roubados? Não, para nossa sorte correu tudo bem e quando chegamos
ao aeroporto elas estavam lá, bem quietinhas, esperando por nós.
Na hora do embarque
para Madrid, mais confusão, não havia reserva no vôo, para mim e
minha irmã, que desespero, novamente, como nós íamos ficar lá
sozinhas?
Depois de muita discussão, parece que eles se faziam de bobos, não
entendiam o que a gente falava, no fim acabamos nos entendendo e
eles acharam lugar para nós duas no avião.
Conseguimos, finalmente, embarcar para Madrid, chegando em Madrid o
inconveniente foi pequeno, nosso vôo atrasou duas horas, bem pelo
menos ganhamos um jantar horrível.
Passei por momentos
angustiantes e de muito nervosismo, pois fui eu que insisti para as
outras irem.
Hoje todas nós rimos com a nossa aventura, mas na época não foi
fácil.
É uma pena que certas
empresas de turismo façam estas coisas, pois ainda faremos muitas
viagens através da nossa empresa, pois sempre há treinamentos no
exterior, mas esta empresa de turismo não nos pega mais, devíamos
ter desconfiado do valor da viagem, o preço era muito bom.
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