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Diário de
Bordo
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através do Diário de Bordo cada passo da nossa
expedição.
03/08/2002 - Sábado
A escalada

Subindo o vulcão
Hoje,
dia 03 de agosto, estou relatando a experiência que tive
no dia de ontem. Na verdade a adrenalina e a aventura
começaram no dia 01/08. O Márcio e o Gilberto nos
levaram de carro até um estrada que teoricamente nos
levaria à trilha na base do vulcão. Quando estávamos
subindo a estrada, notamos que tinha aproximadamente um
metro de neve, e os carros não conseguiram subir.
Preparei meu equipamento e, juntamente com o Wilson,
comecei a caminhar em sentido à base do vulcão. A
caminhada estava difícil, pois estávamos enterrando os
pés na neve. Procuramos um ponto para armar a barraca.
Após escolhido o local, montamos a barraca e começamos a
preparar uma sopa para jantarmos. Para cozinhar a sopa,
utilizamos a neve, derretendo dentro da panela.

Acampamento no vulcão
Após a
rodada de sopa, fui dormir. O frio era intenso. Tremi de
frio a noite inteira e em uma determinada hora da
madrugada acordei sentindo que meus pés estavam
congelando. O Wilson me ajudou a tirar as botas e depois
troquei as meias para poder esquentar os pés.

Amanhecendo no Vulcão
Quando
amanheceu, desmontamos a barraca, preparamos os
equipamentos e começamos a escalar rumo ao vulcão. Achei
que por ser minha primeira escalada, estaria nervoso e
ansioso, mas para minha surpresa eu estava super
tranqüilo e calmo. As dificuldades começaram desde o
começo, pois a quantidade de neve era grande e o ângulo
de subida era muito íngreme. Um pouco antes de chegarmos
a 1.800 metros de altura, minhas pernas já estavam
tremendo de tanto cansaço. Achei que iria desistir por
ali. Falei para o Wilson que iria diminuir o ritmo da
subida. Devagar comecei a recuperar as forças e
continuar a subida. Quando chegamos a 1.800 metros,
começamos a encontrar a parte mais difícil da subida.
Tínhamos que fazer este percurso em zigue-zague, pois se
fôssemos em linha reta, não conseguiríamos subir 200
metros. À medida que estava subido, o gelo estava cada
vez mais duro, o frio mais intenso e o vento cada vez
mais forte. Minhas orelhas já estavam começando a
congelar.

Gelo nos grampons
Neste
trecho, os grampons da minha bota começaram a acumular
gelo, ficando muito perigoso eu escorregar e cair
fatalmente. A queda seria de aproximadamente 1.700
metros. Comecei a diminuir o ritmo e a cada 10 passos
utilizava uma picareta para tirar o excesso de gelo da
bota, mas não adiantava. Após cinco horas de escalada,
paramos para tomar um pouco de água e trocar um idéia
para saber o que poderíamos fazer para solucionar o
problema da minha bota. Já estávamos a uns 2.600 metros
e estava ficando tarde demais para continuar. Os 200
metros que faltavam levariam aproximadamente duas horas
de escalada. Então, tristemente, decidimos desistir e
descer o vulcão.

Visual
A descida
começou a ficar mais difícil, a temperatura caía sem
parar, o gelo cada vez mais duro e minha bota cada vez
mais cheia de gelo nos grampons. Com muito cuidado fui
descendo e com a picareta limpando o excesso. Após
chegar num ponto com menos perigo, sentei na neve e
comecei a escorregar a montanha abaixo, utilizando a
picareta para frear quando necessário. Mas esta forma de
descer mais rápido não foi muito longe, pois em um
determinado ponto a neve estava fofa e comecei a
afundar. Voltei a caminhar, já não tinha mais forças nas
pernas e também não tínhamos mais água para beber.
Neste momento me lembre do filme " Vivos " quando o
pessoal bebia neve. Então peguei um punhado de neve e
coloquei na boca. Desta forma eu ia matando minha sede,
mas as pernas já estavam bambas. Após uma longa caminha,
chegamos à estradinha onde o Márcio e o Kaminiski nos
deixaram, mas ainda faltavam uns 500 metros até chegar
onde os carros estavam. Quase não agüentei a chegar até
os carros. O cansaço era imenso.
Acho que a alegria do Márcio e do Kaminiski era maior
que a minha, pois eles já estavam esperando a um bom
tempo e pensando que havia acontecido algo de ruim.
Cheguei até o carro, peguei uma vasilha de água, quase
sequei-a e fomos para a pousada onde eles ficaram
hospedados.
Para mim, a experiência foi inesquecível, nunca imaginei
estar acima de todas as montanhas que estavam à nossa
vista. Principalmente para uma pessoa que nunca escalou
nem o muro de casa e já parte para um vulcão coberto de
gelo e a 2.840 metros de altitude.
Bem, vou deixar vocês curtindo as fotos, pois estou
digitando este diário e meus dedos estão começando a
congelar.
Espero voltar e em breve fazer novas aventuras como essa
que tive a oportunidade de participar.

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