Diário de Bordo

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31/07/2002 - Quarta-Feira
Diário de Bordo 07

Enfim a Patagônia


Montanhas no caminho
  para Chos Malal

Os últimos 2 dias foram repletos de emoções, e todos da equipe já consideram a viagem completa, pois quase tudo que imaginamos fazer nesta aventura já fizemos, e o melhor de tudo é que ainda nem chegamos ao Chile, onde visitaremos lugares fantásticos também.

Fica cada vez mais difícil descrever em palavras as imagens que estamos vendo e as emoções que estamos passando, as montanhas, a neve, as estradas cobertas com o manto branco, as marcas das erupções e terremotos que assolaram e continuam assolando a Cordilheira, as longas retas, os cumes nevados, os acampamentos, as comidas, os papos, e tudo mais.


Rio Grande

Saímos de Malargue, bem cedo e fomos seguindo em direção a Chos Malal, nosso ponto programado de pernoite, na província de Neuquém, já em território patagônico. O tempo estava fechado e uma chuva leve foi nos acompanhando. Bastou rodarmos alguns quilômetros e na subida de uma serra fomos obrigados a parar, pois a chuva se transformou em neve e o cenário ficou lindo de uma hora para outra. Muitas fotos, e fomos seguindo devagar, curtindo a neve e o visual. Quando descíamos um pouco de altitude, a neve virava chuva, e assim fomos seguindo.

Alguns quilômetros mais à frente, nos deparamos com um lugar chamado Rio Grande, uma grande fenda escavada pela força das águas revoltas que descem pela montanha, nas rochas negras, formando um cenário surreal. Mais fotos, comentários e seguimos em frente. Pouco depois começamos uma subida , chegando a 1.700 metros de altitude e nos deparamos com uma forte nevasca, que para nós foi um delírio. Pilotar os veículos com enormes flocos de neve caindo, foi um presente para a nossa viagem. A nevasca nos obrigou e diminuir bem o ritmo da viagem, além das várias paradas para fotos e comentários.


Nevasca no caminho

Quando descemos novamente a neve se transformou em enormes pingos de chuva que nos acompanharam até a entrada da Província de Neuquém, porta de entrada da Patagônia. Na divisa dedetizaram os veículos, nos cobrando 2 pesos por cada um. Aproveitamos a parada e um telhado para fazer um macarrão para o almoço. Partimos rapidamente e continuamos seguindo pelas longas retas, cercadas de montanhas e vales, algumas com neve, e alternando trechos de estrada com neve e trechos de deserto. No final da tarde, já perto de Chos Malal, pequena cidade onde pretendíamos ficar, vimos uma placa falando de um Vale dos Vulcões. Não tivemos duvidas em entrar na dita estrada e seguir por caminhos de terra até uma bifurcação onde, para um lado ia ao tal vale e para outro não dizia nada. Como o vale era meio longe e seria quase uma volta em nosso caminho, resolvemos seguir pela outra estrada para ver onde chegávamos. Foi a idéia acertada que tomamos. A estrada foi se cobrindo de neve e mostrando uma cadeia de montanhas recobertas com neve branca e limpa. Nenhum sinal de marcas de carros, pouquíssimas casas de vez em quando apareciam ao lado da estradinha que fomos seguindo até chegarmos num ponto onde não se tinha mais condições de rodar com segurança com os carros. Além da neve, o gelo tomava conta da pista. Na volta, paramos várias vezes para fotos e brincadeiras na neve, e chegamos à noite em Chos Malal, uma pequena e simples cidade. Nos informaram que a cadeia de montanhas se chamava Cordillera Del Viento, e este lugar foi muito especial para mim. Tenho certeza que as imagens daquelas montanhas ficarão para sempre gravadas em minha memória.
 


Neve no caminho

Em Chos Mala, ficamos em um camping ao lado da cidade, onde fizemos uma macarronada com carne na brasa, tomamos um bom vinho argentino e fomos dormir.

No dia seguinte, acordamos cedo e novamente nos colocamos na estrada com destino à cidade de Zapala, onde chegamos perto da hora do almoço. Fui até a telefônica tentar acessar a internet e para nosso espanto ficamos sabendo da cotação do dólar no Brasil e também no Uruguai, fato que nos deixou muito chateados. Trocamos alguns dólares por pesos argentinos, abastecemos os veículos e nos colocamos novamente na estrada, com destino a Junin de Los Andes. M ao invés de seguir pela rodovia principal, optamos por seguir por estradinhas de ripio de terra, num trecho de mais de 200 quilômetros. Dizer que o visual era incrível, etc, etc, já está se tornando repetitivo nestes diários, mas é a pura verdade, cada vez a paisagem fica mais bonita. A partir de Zapala, a vegetação muda, aparecendo bosques de araucárias, coníferas e grama verde, que com a presença de neve ficam ainda mais bonitos.


Primeira escalada na neve

Num trecho da estrada, paramos ao lado de um morro recoberto de neve e com sinal de uma pequena avalanche. Resolvemos subir o morro e foi muito divertido, pois as pernas afundavam até os joelhos no meio da neve.

Com muito esforço, pois a inclinação do morro chegava a mais de 45o, chegamos perto do topo, onde nos sentamos e ficamos apreciando o belo visual do vale abaixo. Descemos com cuidado pois o perigo de escorregar e sofrer um acidente era grande.

Subindo mais uma serra e chegando a cerca de 1.800 metros numa curva, nos deparamos com o visual impressionante do Vulcão Lanin e, mais longe, do Vulcão Vilarrica, no Chile. Descemos mais de 1.000 metros, chegando a cerca de 700 metros, e seguimos ladeando o Rio Alumine até perto de Junin de Los Andes, onde chegamos e de onde escrevo este diário. Amanhã seguiremos para o Chile, de onde pretendemos mandar mais informações.

Um abraço a todos


Márcio Canto de Miranda