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Diario de
Bordo
Acompanhe
através do Diário de Bordo cada passo da nossa
expedição.
29/07/2002 - Segunda
Feira
Diário de Bordo 06
Montanhas, Neve, e muita emoção

Cordilheira do Andes -
nossa primeira visão
Hoje chegamos na Cordilheira dos Andes, e o dia foi
emocionante. Como falei no diário anterior, ontem à noite chegamos na cidade de San Rafael, uma cidade
encantadora, com muitos restaurantes, hotéis e um comércio forte. A cidade não é muito grande, mas devido
à proximidade de Las Lenas, cerca de 150 quilômetros, muitos
turistas acabam se hospedando na cidade. Realmente San Rafael me fascinou, gostaria de ter tido tempo de
curtir pelo menos mais um dia por lá, e já pretendo voltar lá quando puder. Após enviar os relatos e fotos
de ontem, fomos abastecer os carros, o que não foi muito fácil, devido a ainda não termos conseguido
trocar dólares por pesos. Mas acabamos conseguindo achar um posto que não só aceitou dólares como ainda
trocou um pouco para cada um de nós. Problema de dinheiro resolvido, fomos jantar numa pizzaria, muito
boa por sinal. Após algumas cervejas e muitas risadas, fomos para o camping armar acampamento e dormir.

Amanhecer em San Rafael
Acordamos por volta das 6h30 da manhã com o dia ainda
escuro. Após um café e um bom banho quente, desmontamos tudo, e seguimos com os veículos para a
cidade de Malargue, já na Cordilheira dos Andes e um dos pontos de interesse da nossa viagem. Ainda no
Brasil, durante os preparativos da viagem, um Cânion existente perto de San Rafael tinha me chamado a
atenção, pois segundo pesquisas, neste cânion existiam
4 represas e o visual era muito bonito.
Para seguirmos de San Rafael a Malargue, existem duas opções, a primeira
é seguir o asfalto normal pela Ruta 144 e a outra é seguir pelo cânion através de estradas de rípio. É
claro que resolvemos seguir pelo cânion e foi uma decisão acertadíssima, pois a trajeto é simplesmente
fantástico. O Cânion do Rio Atuel (este é o nome) fica
numa região chamada Vale Grande, e durante o caminho existem diversas áreas de camping, pequenas cabanas e
pousadas, mas o que interessa mesmo é o visual fantástico que se tem seguindo pela estrada. Não vou
falar muito, mas recomendo que se vejam as fotos que já
falam por si. O rio foi represado em 4 pontos do cânion,
que tem uma altura de mais de 500 metros e uma extensão
de vários quilômetros. A estrada em grande parte do caminho de rípio sobe o cânion, seguindo até a
localidade de El Nihuuil, de onde seguimos até chegar na estrada que segue direto a Malargue.

Represa Canion Rio Atuel

Canion - Wilson Cinegrafista
Quando chegamos na estrada, outra surpresa maravilhosa:
a Cordilheira dos Andes, com seus montes nevados ao fundo. Pisamos mais fundo no acelerador para chegarmos
o mais rápido naquelas montanhas. Neste ponto da viagem,
tínhamos a opção de seguir direto para Malargue, cidade
pequena que também serve de apoio a Las Lenas, ir conhecer Las Lenas, estação de esqui badalada ou fazer
algo bem diferente. Na localidade de EL Sosneado, que fica no caminho para Malargue, entrarmos numa estrada
de terra que nos levaria para o interior da Cordilheira até muito próximo de onde, na década de 70 (não me
lembro extamente o ano), caiu um avião da Força Aérea
Uruguaia com um time de futebol americano que seguia
para o Chile para uma partida. Este desastre é famoso, pois os sobreviventes ficaram 72 dias nas
montanhas e para conseguir suportar a fome, tiveram que se alimentar dos corpos dos mortos no acidente.
Seguindo a estradinha, pode-se chegar a cerca de 8 quilômetros do local da queda, numas termas
abandonadas. Chegando em El Sosneado, falamos com a guarda
local sobre a estrada e nos informaram que estava fechada devido à neve. Dissemos que iríamos até onde
conseguíssemos e pouco depois estávamos na estradinha de terra que segue para um vale pelo meio de muitas
montanhas com muita neve. Foi um verdadeiro Off-Road Andino com direito a barro, pedras e, é claro, neve.
Nenhuma marca de pneus de carros, um vento que chacoalhava os veículos, no fundo do vale o céu branco
e na entrada azul, realmente um cenário surreal, principalmente para nós dos trópicos.

Vale em El Sosneado
Num ponto do
trecho ao lado de um belo morro recoberto de neve, paramos para fazer um lanche, e tomar algumas Kaisers
Bock que levamos especialmente para este momento. Queremos mandar um abraço para o pessoal da Kaiser que
nos forneceu as cervejas, que estavam deliciosas. Muitas fotos e brincadeiras na neve, seguimos em
frente, não sem antes deixar algumas latinhas enterradas na neve para gelarem para a volta.
Fomos seguindo até onde terminou a aventura e começou o
perigo com a estrada cada vez pior e mais coberta de neve, sem falar no tempo que piorava à medida que
entrávamos no fundo do vale. Ao todo, percorremos cerca
de 50 quilômetros e, segundo o Fábio, devemos ter estado
a cerca de 15 quilômetros do local da queda do avião. Após mais fotos, fizemos a volta e retornamos até EL
Sosneado, não sem antes tomarmos as Bocks que deixamos enterradas na neve.

Um brinde aos Andes
com Kaiser Bock
Agora estamos em Malargue. Hoje eu e o Kaminski
resolvemos ficar numa hosteria (espécie de pensão) para
podermos fazer este diário e separar algumas fotos com calma, além de carregar os equipamentos. O
Wilson e o Fabio foram para um camping municipal. Amanhã continuamos seguindo pela Cordilheira dos Andes,
atrás de outras imagens, outras sensações e torcendo
para que o dia de amanhã seja tão bom quanto foi o de hoje.
Um abraço e até o próximo diário.
Márcio
Canto de Miranda

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