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Diario de
Bordo
Acompanhe
através do Diário de Bordo cada passo da nossa
expedição.
28/07/2002 - Domingo
Diário de Bordo 04
Rodando
......
Bem pessoal, neste exato
momento em que começo a escrever este diário, estamos
chegando numa cidade chamada San Luis, capital da província
do mesmo nome. Estamos a cerca de 500 quilômetros da
Cordilheira dos Andes, onde pretendemos chegar ainda
hoje à noite. Desde que entramos ontem pela manhã na
Argentina, deixamos de avistar montanhas, ou até mesmo
morros ou pequenas serras, pois toda a região é uma
enorme planície. Enquanto escrevo sentado no banco
passageiro da Ranger, três pessoas que seguem na caçamba
de uma caminhonete à nossa frente nos observam com
interesse, tomando chimarrão com açúcar (Eca...)
Sinceramente não sei quem parece mais estranho. Se nós
ou eles.

Fronteira - São Borja - Rs -
Fronteira Brasil _ Argentina
Ontem acordamos cedo no
hotel em São Luiz Gonzaga e seguimos direto para São
Borja onde cruzamos a fronteira e, após os trâmites
legais e declaração de equipamentos, entramos na
Argentina. Primeira missão, trocar dólares por pesos
argentinos, coisa que acabamos não conseguindo fazer,
pois por ser sábado o pessoal não tinha a cotação da
moeda americana. Como nunca tivemos problemas em pagar
as contas com dólares, não esquentamos muito e fomos
em frente. No primeiro posto de gasolina, percebemos que
as coisas realmente mudaram por aqui. Com a cotação
flutuante do dólar, é melhor ter pesos argentinos para
não correr risco.

Túnel sob o rio Paraná ligando
as cidades de Paraná e Santa Fé
Muitos quilômetros de
retas depois, chegamos na cidade de Paraná, na beira do
rio Paraná, uma cidade relativamente grande ligada à
cidade de Santa Fé, do outro lado do rio, por um túnel
que passa por baixo do rio, que é muito largo neste
trecho.
Santa Fé é uma cidade
grande e muito bonita. Passamos rápido por ela e logo
estávamos seguindo viagem por retas intermináveis até
a cidade de San Francisco, onde resolvemos pernoitar.
Encontramos um camping na beira da estrada muito legal,
mas de uso exclusivo do sindicato dos motoristas da província
de Santa Fé. Falamos com o encarregado e ele
gentilmente nos deixou armar as nossas barracas por lá.
Gabriel (este é o nome dele), também deixou-nos usar a
churrasqueira, onde preparamos um delicioso churrasco,
regado a vinho ainda brasileiro que levamos na bagagem.
Wilson acabou machucando as costas enquanto fazia um
grande esforço, mas está tudo bem. Por volta das 11 da
noite fomos dormir e a noite estava fria, mas com um céu
muito bonito cheio de estrelas.

Acampamento na cidade
de San Francisco
Às 5h30 da manhã,
Wilson nos acordou para continuarmos a viagem.
Desmontamos o acampamento e às sete horas já estávamos
novamente na estrada, seguindo em direção sudoeste
rumo a Malargue, cidade já na Cordilheira dos Andes ,
onde pretendemos pernoitar. O trecho que pretendemos
rodar é de 800 quilômetros e neste momento em que
estou escrevendo já rodamos cerca de 450 quilômetros.
Como são 3 da tarde, calculo que chegaremos lá no início
da noite. No trecho que estamos passando, o que chama a
atenção é o forte vento que chega a segurar os veículos
em alguns momentos, mas o tempo está bom, com sol forte
durante o dia, só esfriando bastante à noite, com a
temperatura caindo para perto de zero graus e geando um
pouco.

Malucos a nossa frente

Reta no caminho
para Vila Maria
Vou parando por aqui,
pois está meio complicado de digitar, devido às ondulações
da pista, que continua sendo uma reta interminável.
Um abraço
Márcio
Canto de Miranda

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