Diário de Bordo

Acompanhe através do Diário de Bordo cada passo da nossa expedição.

09/08/2002  - Sexta Feira
Diário de Bordo 1
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Chegamos

Viajar é realmente maravilhoso, mas a sensação de chegar em casa depois de dias rodando dentro de um carro, também é indescritível. Abraçar e beijar as pessoas que você ama, deitar no seu sofá, na sua cama, encostar a cabeça no seu travesseiro, são sensações extremamente gratificantes, principalmente depois de rodar mais de 3000 quilômetros em pouco mais de 48 horas.

No último diário de bordo, falei sobre a nevasca enorme que acabamos pegando enquanto percorríamos a Rota dos Sete Lagos, e o início do nosso retorno para casa após passarmos em San Martin de Los Andes. É difícil descrever o que seja dirigir um veículo sobre uma pista completamente branca de neve e se orientando apenas pelas placas de sinalização da estrada, que por sorte na Argentina são em grande quantidade. Em vários pontos a neve já estava virando gelo e tornando a pista muito escorregadia. Fomos dirigindo com muito cuidado e já a noite paramos na cidade de Piedra del Aguila, pois o bom senso, nos dizia para não continuarmos. Depois que achamos um hotelzinho para dormirmos, fomos atrás de um restaurante e acabamos constatando que a rodovia estava fechada, devido a um acidente mais a frente, com uma grande fila de veículos se formando. Resolvemos entrar num pequeno restaurante completamente vazio, onde o dono nos chamava no meio da rua para entrarmos. Meio cabreiros, atendemos o convite do Guilhermo (nome do proprietário), um cara muito simpático que nos serviu, pelo menos para mim, a melhor refeição de toda a vigem. Empanadas, uma espécie de pastelzinho típico da Argentina, com massas e bife de chorizo. Tudo isto regado a muito vinho da região de Mendonza. Estava delicioso aquele jantar. Assinamos o livro de visitas e ele nos mostrou orgulhoso a página onde o ex piloto de fórmula 1 René Arnoux também assinou quando esteve lá. Fomos dormir meio "borrachos" e torcendo para que a neve parasse de cair e liberassem a estrada para seguirmos nossa viagem.

Acordamos cedo e para nossa sorte a neve tinha parado de cair. Tomamos café em um posto de gasolina e pude verificar a manchete do jornal da região. Nevasca deixa estradas intransitáveis na região de Rio Negro, segundo o jornal, mais de 300 caminhões ficaram presos perto de La Angostura, devido ao fechamento do Paso Internacional que leva ao Chile lá perto. Em Zapala, cidade que passamos na ida e relativamente perto de onde estávamos e que nem vimos sinal de neve na ida, teve a maior nevasca dos últimos 70 anos, e por aí seguia a matéria. Não pude deixar de pensar na sorte que estávamos tendo com o tempo até o momento. Seguimos viagem ainda com cuidado, pois a neve continuava acumulada em alguns pontos da pista, mas alguns quilômetros para frente de Piedral del Aguila, a estrada já estava completamente sem neve e uma chuvinha rala começou a cair. Pouco depois estávamos em Neuquém uma grande cidade, capital da província do mesmo nome, onde passamos batido e seguimos em frente, rumos norte e leste, se aproximando de casa. Dirigimos até onde aguentamos e por volta das 10 horas da noite, paramos numa cidade chamada Gal Villegas onde pernoitamos e comemos a pior refeição da viagem. Um restaurante bonito de parrila, que é o churrasco argentino, onde o dono fez a maior propaganda da carne servida e nos disse que por 6 pesos poderíamos comer a vontade, numa espécie de rodízio. Carne horrível, pouca e dura. Nossos vizinhos que me perdoem, mas churrasco mesmo é aqui no Brasil. Fomos dormir, para seguirmos em gente no dia seguinte.

Acordamos cedo e após o café nos preparamos para um trecho de mais de 1300 quilômetros, pois pretendíamos chegar até a cidade de Posadas, já na província de Missiones e próximo de Foz do Iguaçu. Dirigimos o dia inteiro desde as sete horas da manhã até as 11:30 da noite, quando paramos em um camping com cabanas, um pouco a frente de Posadas. Mal entramos e já todos estavam dormidos esgotados. No dia seguinte acordamos por volta das sete horas e após um café da manhã no camping mesmo, seguimos em direção a Foz. Em Puerto Iguazu, última cidade argentina antes da fronteira, paramos para gastarmos os pesos que tinham sobrado. Compramos azeitonas, vinhos, licores e blusas e seguimos rumo ao Brasil. Após os trâmites na aduana argentina, que foram rápidos, já estávamos de volta a terras tupiniquins e a primeira parada foi num belo restaurante com um buffet de comida chinesa onde nos esbaldamos de tanto comer. Abastecemos os carros e seguimos direto até chegarmos em Ponta Grossa, por volta das 11 da noite. Chegamos e após separarmos as bagagens, fomos todos para casa matarmos as saudades da família, exaustos mas extremamente felizes e com os corações realizados por termos chegado ao final de um sonho, que era o de conhecer esta região no inverno com neve, e já pensando nos próximos objetivos, como Terra do Fogo, Alasca, bem .. por hora acho melhor parar por aqui se não acabo apanhando em casa.

Agora é revelar as fotos tiradas com película, assistir as fitas que gravamos, selecionar as melhores fotos digitais para colocarmos no site com calma e muita história a contar para os amigos.

Antes de terminar este diário quero fazer alguns agradecimentos, em especial a Deus que permitiu que tudo isto acontecesse sem nenhum problema tanto para nós quanto com os nossos aqui em casa. As nossas famílias que nos suportaram antes quando só falávamos na dita expedição, durante a viagem e agora quando ainda continuamos só falando na dita expedição. Quero agradecer ao pessoal que nos enviou e-mails durante a viagem. Não conseguimos responder todos, mas lemos todos eles e era um momento especial da expedição, pois nos fazia muito bem saber que muitas pessoas estavam junto conosco nesta aventura. Quero agradecer aos patrocinadores, pois sem eles nada disto teria acontecido e quero fazer um agradecimento particular e muito especial a turma da Ford, que viabilizaram tudo para que a minha companheira Ford Ranger pudesse seguir nesta viagem junto comigo e como sempre sem me deixar na mão.

Vocês podem estar estranhando a ausência de fotos neste diário, mas é que a pressa de chegar em casa era tamanha que acabamos deixando de fotografar este trecho, além da falta de um visual interessante, depois dos visuais fantásticos da Cordilheira. Mas para compensar a falta de imagens neste diário, vamos selecionar fotos especiais que serão colocadas no visões. Não deixem de verificar!

Bem pessoal um grande abraço a todos, muitíssimo obrigado por acompanharem nossa viagem através deste diário e espero que em breve estejamos juntos curtindo uma nova aventura!

Um abraço

Márcio Canto de Miranda