Destinos Rio Grande do Sul Sete Povos das Missões

A escuridão recebe os visitantes, escondendo o cenário, que aos poucos chegam e vão se acomodando. De repente a música de fundo é substituída por outra mais vibrante e começa o espetáculo de som e luz na redução jesuítica de São Miguel Arcanjo. Os visitantes voltam no tempo, até os anos de 1750, onde ocorreu o final dos tempos das missões, quando os exércitos espanhol e português arrasaram com os "Sete Povos das Missões". Normalmente quando o espetáculo acaba as pessoas saem quietas, ainda absorvendo a triste história que acabaram de conhecer, bem como o belíssimo espetáculo contado através de sons e luzes que, aliadas ao belo cenário da redução, emocionam a todos que por ali passam.

Este espetáculo acontece todas as noites em São Miguel das Missões e é imperdível para aqueles que vão conhecer a região atrás dos vestígios dos Sete Povos das Missões.

A história
Voltamos ao século XVII, o ano é 1626, cabe ao padre Roque Gonzáles desbravar as terras da margem esquerda do rio Uruguai e fundar o povo de São Nicolau, o primeiro no atual território do Rio Grande do Sul, na época, sob o domínio da Espanha. Em 1628 o Padre Roque foi martirizado pelos índios em Caaró, atualmente um santuário e local de grandes peregrinações.

Em 1632 o padre Cristóvão de Mendoza fundou o povo de São Miguel, próximo de onde hoje se encontra a cidade de Santa Maria e longe da atual redução de São Miguel, que é considerada o principal marco americano de civilização jesuítico-guarani. O padre Mendoza também foi o responsável pela introdução do gado no Rio Grande do Sul na época.

Nos anos de 1637 a 1641 o bandeirante Raposo Tavares, atrás de mão-de-obra cativa, destruiu as reduções situadas entre os rios Taquari e Caí, obrigando os jesuítas a refluírem para a margem direita do Uruguai. A partir de então, o gado abandonado, sem interesse para os bandeirantes, esparramou-se , tornando-se gado "chimarrão", isto é gado selvagem.
Formaram-se então as Vacarias do Mar, que estendiam-se até as margens do Rio da Prata, e as Vacarias dos Pinhais, manadas de gado selvagem que ocuparam boa parte do Planalto Central e dos Campos de Cima da Serra, e que iriam mais tarde atrair os gaúchos.

Corre o ano de 1682, os bandeirantes estão ocupados com o ouro e as pedras preciosas das Gerais, esquecendo os nossos índios. A grande quantidade de gado criado solto e sem dono atrai o interesse de portugueses que passam pela região e que começam a invadir as estâncias dos índios.
Quando os índios perceberam a situação, voltaram para as missões, reclamando seus direitos. Com isso iniciou-se o segundo período da catequese dos jesuítas espanhóis.

Foram construídas novas aldeias. Essas aldeias receberam o nome de Sete Povos das Missões. Foram elas:

  • São Nicolau;

  • São Miguel Arcanjo;

  • São Luís Gonzaga;

  • São Francisco de Borja;

  • São Lourenço;

  • São João Batista;

  • Santo Ângelo.

Cada missão foi fundada por um jesuíta, que também a dirigia. Dos Sete Povos, São Miguel foi a aldeia que mais se desenvolveu.

Nos anos de 1720 a 1750, as reduções chegaram ao auge do seu desenvolvimento. Os jesuítas juntamente com os guaranis constroem igrejas e fontes, é criada a primeira fundição no estado do Rio Grande, na redução de São João Batista, os índios se aprimoram nas artes tornando-se exímios escultores e músicos e tudo corre na maior tranqüilidade e harmonia entre os povos até que Portugal e Espanha assinam o Tratado de Madri, onde acabam com a divisão territorial proposta no Tratado de Tordesilhas e criam uma nova divisão onde Portugal entrega para a Espanha a região de Colônia Del Sacramento (atualmente no Uruguai às margens do rio da Prata) e a Espanha entrega aos portugueses a região dos Sete Povos das Missões.

É claro que na época o que menos interessou, tanto para portugueses e espanhóis, foi a vontade daqueles que viviam na região. Os jesuítas e os índios ficaram revoltados com a imposição dos dois países de que eles abandonassem a região em 6 meses e se bandeassem para a outra margem do rio Uruguai (atualmente território argentino). A recusa dos indígenas e jesuítas de abandonarem os seus lares desencadeou uma guerra que durou 10 anos chamada de Guerra Jesuítica-Guarani onde as Missões e seus habitantes foram exterminados.

O grande herói desta guerra foi o índio guarani Sepé Tiaraju que, após longos combates, acabou sendo morto pelos portugueses e espanhóis junto a Sanga da Bica. Três dias após a morte de Sepé ocorreu o massacre de Caiboaté onde os portugueses e espanhóis mataram mais de 1500 índios e tiveram apenas 4 baixas. Após este combate foi vencida a resistência missioneira definitivamente e os jesuítas e indígenas abandonaram a região levando o que puderam, incendiando o que deixaram para trás, como casas, lavouras e igrejas.

De todo o esplendor dos sete povos das missões, o que restou, além da triste história, são as ruínas de algumas reduções e o sítio histórico de São Miguel Arcanjo, o mais importante acervo da obra missioneira no Brasil e declarado Patrimônio Histórico Mundial pela Unesco em 1983.

Atualmente o turista que visitar a região poderá encontrar uma série de vestígios do povo missioneiro, ruínas das reduções, artefatos em museus e igrejas e ainda ter contato com uma paisagem muito bonita com campos abertos cultivados, capões de mata nativa e os grandes rios que cortam a região das missões. Dentre as cidades mais representativas vale a pena visitar Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga e São Miguel, um lugar imperdível. Todas as cidades são próximas e o visitante ainda pode aumentar o seu passeio e conhecer também São Nicolau e São Borja, fechando assim o roteiro.

como chegar
São Miguel das Missões fica a 500 km de Porto Alegre.
Vias de acesso: BR 286, BR 285 e RS 536

Passeio pela região

Santo Ângelo

São Luiz Gonzaga

Redução de São João Batista

São Miguel das Missões

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Redução de São Miguel Arcanjo


Cruz Missioneira


Fonte Missioneira


Indios Guaranis

 

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