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Os Saltos de Prudentópolis

O município de Prudentópolis possui um potencial natural em termos de rios e quedas d’água muito grande, sendo o mais importante o rio dos Patos. Dentre os saltos, destacam-se o São Francisco com 187 m no rio São Francisco, o São João com 84 m no rio São João entre tantos outros.

Como o domingo estava vago e ninguém tinha nada para fazer, a equipe Terra&Asfalto resolveu se reunir e desvendar a beleza dos Saltos de Prudentópolis. Saímos de Ponta Grossa 8h30 com o céu nublado, na esperança de que o dia se encarregasse de trazer o sol.

Chegando no Portal da cidade, entramos a esquerda, pegando a rodovia Municipal Esperança, caminho que nos levaria até o Salto São João. Depois de 5 Km de asfalto começa a estrada de chão. Para chegar ao Salto são mais 20 Km. À medida que se afasta das ruas asfaltadas e largas de Prudentópolis, começa-se a descobrir o verdadeiro fascínio da região. Circundando as trilhas de terra, imagens bucólicas de casas coloridas, porcos e galinhas soltos nos quintais, rostos curiosos nas janelas. Por todo lado uma natureza exuberante, araucárias majestosas e mata fechada dividindo espaço com o simetrismo das plantações.

Logo aparece o primeiro rio e com ele, a primeira ponte. Neste trecho há uma ilha fluvial que foi transformada em recanto. O Parque Cassiano conta com churrasqueiras, banheiros e trapiches para pesca, sendo um bom lugar para um lanche. Além disso, o rio neste trecho é muito bonito com suas corredeiras e pequenas quedas.

Seguindo em frente, logo aparece o mirante que fica de frente para o Salto São João. Para observar a queda é preciso tempo e silêncio, pois a magnitude e a beleza da água que desce com violência se transformando em vapor e estourando nas pedras depois de 89 m de queda é muito impressionante. O rio parece um pequenino filete d’água em meio ao abismo de rocha por onde corre o salto.

Do mirante partimos para a entrada que leva mais próximo ao rio. Há uma placa indicando o caminho. Não é cobrada entrada e pode-se seguir de carro até a entrada para as trilhas que levam a um mirante natural de pedra, que fica dentro do rio e que não é aconselhável para crianças ou para quem tem medo de altura. Seguindo pelas trilhas também é possível descer até o fundo do cânion. São 180 metros percorridos por uma trilha estreita, muitas vezes com ajuda de cordas e escadas improvisadas. Barro, galhos e pedras pedem calçados especiais e muito cuidado, além de um mínimo de preparo físico e disposição. Mas uma vez no fundo do cânion, vem a recompensa pelo esforço: um anfiteatro natural, com o salto com 84 metros de altura, postado defronte, numa apoteose de espumas e névoa. Um espetáculo soberbo.

A água é a maior dádiva de Prudentópolis. São 52 quedas d'água registradas até agora, mas os próprios moradores reconhecem que devem existir muitas mais, nos recônditos das serras ainda não descobertos pelos exploradores. O Salto de São Francisco, com 196 metros de altura, é o maior de todos. Fica a 52 km da cidade e por si só vale um dia de expedição, com direito a acampamento.

Para chegar ao Salto São Francisco voltamos à entrada do portal e pegamos uma nova estrada de terra. Deste trecho para frente o caminho começa a ficar complicado. O vale da Serra do Miguelzinho surge à frente com seus morros e montanhas. A mata nativa coroa as formações geográficas em um espetáculo de beleza digno dos mais belos lugares do Brasil. De repente, no fundo do vale surgem as quedas gêmeas como dois riscos brancos correndo o morro. A paisagem ganha ainda mais vida.

Começa então a descida até o fundo do vale, depois disso é preciso contornar o morro. Aparece a primeira e única Vila do caminho. A estrada começa a ficar muito ruim neste trecho. Atolamos várias vezes e precisamos usar cordas nos pneus, além de empurrar o carro, que algumas vezes ficou literalmente colado nos barrancos.

Também não há mais placas de indicação e a estrada parece um labirinto.

Começamos a subir novamente e a vista agora muda, pois se está no centro do vale. Para se perder é fácil, mas a paisagem é extremamente compensadora. A mata fechada cobre tudo e os morros saltam à nossa volta.

Depois de atravessar rios e poças de lama encontramos uma Toyota de Guarapuava à nossa frente. Seguimos até um capão, onde deixamos os carros. Uma pequena trilha nos leva até um mirante que fica de frente para o Salto São Francisco. A sensação que temos quando a mata se abre dando lugar à queda é de arrepiar. Não existem palavras para explicar a beleza do vale que se abre em um abismo de pedra por onde caem as águas do São Francisco. O olhos se enchem e ficamos deslumbrados com as obras de arte que a natureza preparou com tanto esmero.

São 187 m de queda, onde a água transforma-se em um delicado véu.

A cachoeira tem uma bifurcação no centro, o que significa que são duas quedas, uma estreita e outra muito larga. O vapor d’água balança com o vento, formando um ballet cristalino sobre a rocha do paredão.

O rio no fundo do vale quase desaparece; tão minúsculo parece aos nossos olhos e o verde da mata contorna tudo num misto de cores que se completa com o arco-íris, resultante dos reflexos dos raios de sol na queda.

Saindo deste ponto e voltando um pouco na estrada, entramos à direita. Estacionamos o carro em frente a uma ponte. Neste trecho é possível se banhar no rio, que tem pequenas quedas e partes rasas. Uma trilha leva os aventureiros até a cabeça da cachoeira, onde começa a queda. O som da água caindo é tão forte que fica praticamente impossível conversar. O vento soprando no sentido oposto ao da queda provoca uma verdadeira chuva sobre os que se arriscam a chegar mais perto do abismo.

Depois de trocar algumas informações com os outros aventureiros, decidimos voltar por Guarapuava. A maior parte do acesso ao Salto São Francisco por Guarapuava é asfaltado, sendo uma viagem bem tranqüila.

Salto São João, Serra do Miguelzinho, Salto São Francisco, nomes que marcam lugares esquecidos pelo tempo, com tangerinas à beira da estrada, gente sem pressa e cenários de encher os olhos.
O carro seguia com cautela as estradas embarradas, subia com dificuldade as encostas sinuosas. O dia escorreu lento entre paradas para escolher o caminho mal sinalizado, retirar o carro do atoleiro ou simplesmente jogar conversa fora na beira do rio. Com o sol se pondo, voltamos a encontrar a civilização, em Guarapuava. A partir daí viajamos pela rodovia movimentada, atentos aos carros, caminhões e ônibus que nos invadiam com seus roncos e faróis altos. Antes mesmo de chegar a Ponta Grossa já estávamos com saudades de Prudentópolis, com suas inesquecíveis cachoeiras.

Informações Tel: (042) 446-1122 (Prefeitura Municipal).

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