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Ponta Grossa Cachoeira
da Mariquinha
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Um lugar muito especial
Estrada de chão
em péssimo estado, poeira ou lama, dependendo do clima, e muitas
porteiras, essa é a descrição de um pessimista, sobre como chegar
na Cachoeira da Mariquinha. Um apreciador da natureza diria que é
uma linda estradinha de interior com belissímas paisagens, que vão
desde florestas nativas de araucárias, passando por gigantescos
blocos de pedra que cortam o solo e destacam-se em meio aos campos,
vales, lagos, até bucólicos casebres. É sempre uma questão de
ponto de vista.
Mas independente
de pontos de vista, não há como negar que a mãe natureza foi
muito generosa com a região dos campos gerais, e a Cachoeira da
Mariquinha é uma dessas surpresas agradáveis que se encontram
nestas redondezas. Depois de abrir e fechar quase uma dúzia de
porteiras, o aventureiro, que se embrenha a descobrir quais tesouros
guarda a Mariquinha, se depara com uma última casa no alto do vale.
É a casa do seu Antônio Sinigoski, proprietário das terras que
guardam a Mariquinha, e filho de dona Marica, que ali morou por
tantos anos, e que imortalizou-se nas quedas d’água que levam seu
nome. Seu Antônio cobra um real por cabeça de quem pretende entrar
na propriedade. A taxa se destina a manutenção do local, através
de um projeto de conservação executado por ele em parceria com o
acadêmico de turismo, Marcos Miara.
Descendo a
ladeira, já avista-se um belo capão de majestosas araucárias, e o
local destinado a acampamentos, que contém banheiro, lixeiras e
lenha cortada, para que nenhum piromaníaco saia cortando todo tipo
de árvores nativas para queimar.
O
rio Quebra-Perna fica logo abaixo, e para pegar a trilha que leva a
cachoeira é preciso molhar o pé ou atravessar um tronco, que serve
como ponte. O caminho é um espetáculo à parte. Um paredão imenso
de pedras se desenha na lateral, e é possível andar por cima do
planalto formado pelos arenitos, que não deixam dúvidas de ter
sido ali, um dia, fundo de mar. Na outra lateral a mata conduz a
trilha, e só quando se está bem próximo da cachoeira, ouve-se o
som da queda. A mata se abre e dá lugar a uma pequena praia de
areias cristalinas. Olhar para cima é o suficiente para se
deslumbrar com o largo véu que escorre pelas pedras, formando uma
deliciosa e gelada piscina natural, com direito até, a trampolim de
pedra. Perfeita para banhos em dias bem quentes. Também é fácil
chegar embaixo da cachoeira, onde verdadeiras poltronas de pedra
recepcionam os visitantes para uma hidromassagem. Não é
aconselhável acampar na praia, apesar de ser bastante tentador,
pois durante a noite, o volume de água do rio aumenta, alagando o
capão.
Mas
se tudo isso parece muito, a aventura não acabou. Para aqueles que
se arriscam a dar suas escaladas, não é complicado chegar em cima
da cachoeira e deslumbrar um visual magnífico de todo o vale,
inclusive dos paredões do lado oposto ao da queda e curtir um banho
mais quentinho, nas banheiras naturais que se formam no lageado.
Vale a pena subir
o rio até sua vertente, que não fica muito longe, e admirar a
beleza do rio cortando os campos e dos capões com suas plantas e
cogumelos exóticos. O pôr do sol em cima da cachoeira também é
indescritível, pois não é só o sol que dá sua graça. As
andorinhas que habitam a encosta da cachoeira fazem círculos no
céu e depois mergulham subitamente em direção a queda. É de
arrepiar.
Para
quem tem um gosto pela herança dos nossos antepassados, nada melhor
que percorrer o planalto de arenito e observar as pinturas
rupestres, que são fartas, basta procurar com atenção,
principalmente em áreas de abrigo, como cavernas e tetos.
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As pedras
com suas várias ondulações, buracos e entradas são obras de arte
da mãe natureza, que encarregou-se de decorar a paisagem árida com
belos cactos, parentes do famoso peiote do México, há também
colônias de cactus muito parecidos com corais - mais uma
referência ao fundo de mar. O Planalto também é o lugar mais
indicado para aqueles que pretendem passar a noite na Mariquinha,
pois lá de cima é possível observar todo o céu, e a lua
mostra-se como a rainha da noite, sendo a única fonte de luz e se
caso chover, não é preciso se desesperar, pois o lugar é farto em
abrigos naturais. A Mariquinha é lugar que traz paz de espírito
aos seus visitantes, e a única coisa que ela pede em troca é um
pouco de respeito, para que ela possa continuar ali, bela e formosa
por pelo menos mais alguns bons anos.
Pelo
menos um pouco de respeito
Quem percorre a região de Itaiacoca muitas vezes
não imagina quão perto estão o Buraco
do Padre, as Dolinas, a
Cachoeira da Mariquinha, Vila Velha,
Furnas, Lagoa
Dourada, Fortaleza, Arcos e todas as demais belezas naturais
desta região, que vão desde cavernas, cachoeiras e vales, até
paredões com pinturas rupestres. Se fossemos parar e, analisar as
coisas da maneira que gostaríamos que fossem na realidade, toda
esta área deveria fazer parte do Parque Estadual de Vila Velha,
como uma só unidade de preservação, mas como sempre, no Brasil o
poder do dinheiro fala mais alto que qualquer argumento em favor da
preservação de áreas importantes, ricas em fauna, flora e fontes
de água. Os campos são devastados, os pinheiros são derrubados,
os animais selvagens são mortos ou encurralados em capões
minúsculos, que guardam o que sobrou de mata nativa, a água é
poluída com agrotóxicos e ninguém faz nada, ninguém se preocupa.
Quem sabe as gerações vindouras possam vir a se preocupar, mas
poderá ser tarde demais. A estiagem que chegou mais cedo este ano,
já traz reflexos devastadores, como o incêndio em Vila Velha,
reflexo este que nada mais é do que uma conseqüência da própria
devastação provocada pelo homem ao seu habitat natural, aliás o
homem, considerado o único animal racional, é também o único a
cometer a estupidez de destruir seu próprio habitat. Quando vamos
parar? Essa é uma pergunta que deve entrar na mente de cada e de
todas as pessoas, independente de idade, cor, nacionalidade ou
classe social. Os racionamentos de água já começaram, daqui a
pouco serão os racionamentos de comida e depois, o que o futuro
guarda para uma humanidade que esqueceu de cuidar de seu bem mais
precioso - a natureza?
Talvez nos
aguarde a destruição, mas ainda temos tempo de evitar o pior.
Podemos começar agora, impedindo a devastação da Amazônia, e
exigindo das fábricas controle de poluição, exigindo dos governos
atitudes drásticas contra aqueles que cometem crimes ambientais.
Mas o começo está mais perto, economizando água e energia
elétrica, não jogando lixo nas ruas e principalmente nos campos,
separando material reciclável de lixo comum e nos apaixonando pela
mãe natureza, afinal de contas, dependemos dela para sobreviver.
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