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No interior do
município de Palmeira, família mantêm tradição na fabricação
de vinhos
Descubra
o sabor artesanal
Após participar da primeira experiência anarquista do Brasil,
a utópica Colônia Cecília, o italiano Arnaldo Agottani decidiu
investir na produção de uvas em Santa Bárbara, interior do
município de Palmeira.
Como o clima e o solo
contribuíram, em 1927 Arnaldo abre a fábrica de vinhos coloniais
Santa Bárbara (homenagem à colônia), mas somente em 1947 ela é
registrada.
Depois de passar para
seus filhos, atualmente quem comanda a vinícola é seu neto Evaldo
Agottani, que continua a tradição e garante que não pretende
mudar a forma de se fabricar vinhos. “Me aperfeiçôo, mas não
mudo o jeito tradicional”, garante.
Com sotaque e aparência
de colono, Evaldo explica que em sua propriedade mantém atualmente
mais de 9 mil pés de parreiras. As variedades produzidas são
Niágara, Terci, Rosada, Branca, Bergera, Moscatel, Merlot, Pinot
Noir e Chardonnay.
O produtor conta que
sempre está a procura de novas espécies, como foi o caso da
Cabernet Sauvignon, que não se adaptou.
Além dos vinhos de uva,
são confeccionados em menor quantidade vinhos de maçã, laranja e
mimosa, assim como vinagres.
Apesar de artesanal, os
produtos são exportados para diversas cidades da região e até de
outros estados, principalmente para São Paulo.
Aprimoração
Mesmo acreditando que o vinho
deve continuar a ser confeccionado de forma artesanal, Evaldo
visitou diversas fábricas, como em Vacarias no Rio Grande do Sul;
Caçador e Videira em Santa Catarina; e Campo Mourão e Salgado
Filho no Paraná, para aprimorar seu sistema.
Entre os conhecimentos
adquiridos, o produtor ressalta o tratamento das parreiras e a
diminuição do contato durante a preparação do vinho.
Outra boa notícia foi a
utilização de adubo orgânico no parreiral. “Pretendo deixar
tudo orgânico nos próximos anos, o que melhora a produção”,
ressalta.
Até 2004 ele pretende
ampliar seus negócios para geléias e doces de uva e fazer um
estilo de “colha e pague”, construindo também uma área de
lazer com quiosque para agradar aos clientes.
“As pessoas vem até
aqui, conhecem as instalações e ficam nos parreirais comendo à
vontade. Se quiserem colher para levar para casa, é só pagar o que
pegaram”, explica o produtor.
Fabricação
A cantina é dividida em
secções, sendo que na primeira as uvas são selecionadas, lavadas
e moídas. Nessa fase os grãos são pisados (com botas brancas de
borracha) dentro de um cocho, onde é acrescentado o açúcar (cerca
de 7 a 10% da produção).
Enquanto a casca e as
sementes (bagaço ou mosto) ficam na peneira, o líquido escoa por
canaletas até as tinas de fermentação, localizadas no segundo
compartimento.
Após seis a oito dias
em descanso, o vinho segue para a terceira secção, quando ficará
por três meses fermentando em outras pipas até estar pronto para
ser embalado.
O segundo vinho, que é
mais fraco, recebe durante a sua produção 10% de água e o vinho
conhecido como “cortado”, é uma mistura das uvas Terci e
Bergera. “O pessoal tem gostado muito desta mistura”, afirma o
produtor.
Evaldo faz a
degustação de todas as pipas a cada três dias, o que garante a
qualidade dos vinhos.
Na finalização o líquido é engarrafado com rolha de cortiça e
selado com cera de abelhas para garantir a sua conservação.
O vinho deve ser
consumido dentro de três anos para que o sabor seja mantido e não
forme borra no fundo da garrafa.
Suco
Para a preparação do suco,
são colocadas em um tacho as uvas já lavadas e selecionadas.
Após o cozimento, é
retirado o bagaço (cascas e sementes) e coada a parte líquida.
Depois de colocado nas
garrafas, o suco novamente vai para o fogo, onde será cozido por
mais um tempo em banho-maria.
O suco é bastante
concentrado. Uma parte dele pode ser misturada a três ou quatro de
água, variando de acordo com o gosto do consumidor.
Após o prazo de um ano
o suco não pode ser mais consumido. Como acontece no vinho, pode
ocorrer aparição de borra no fundo do frasco.
Como
chegar
Santa Bárbara fica a
aproximadamente 12km da cidade de Palmeira (sentido São Mateus do
Sul). A propriedade de Evaldo está a 13km da entrada de Santa
Bárbara.
No caminho é só
perguntar aos moradores da região onde fica a cantina do “seu”
Evaldo, não tem erro.
A melhor época de
visitação é final de janeiro e início de fevereiro quando os
parreirais estão lotados de uvas que você poderá saborear a
vontade.
Encomendas ou
informações podem ser obtidas através dos telefones (0xx41) 9604
8953 ou (0xx42) 9982 0057.
Onde
encontrar
Caso você não possa chegar
até Santa Bárbara, os produtos podem ser encontrados na Avenida 7
de Abril, nº 395 ou no Posto de Informações Turísticas (PIT) de
Palmeira, que funciona na sede da antiga estação ferroviária
(PR-151).
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