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Peculiaridades
e raridades no Sítio Minguinho
Para quem quer se dar ao
deleite de apreciar pequenos detalhes, o Sítio-museu Minguinho é o
local perfeito para uma verdadeira viagem no tempo.
Com um trabalho de
aproximadamente 10 anos, o professor Arnoldo Monteiro Bach reuniu em
seu sítio diversas mobílias, objetos e utensílios que são
verdadeiras relíquias.
Localizado no interior
do município de Palmeira, o Sítio Minguinho conserva diversos
aspectos históricos e culturais do município e até do Paraná.
Uma visita no local
encanta a qualquer um. Em tamanho real, o barbaquá, tafona, roda d’agua
e monjolos aguçam a criatividade dos mais novos, que não chegaram
a conhecer as antigas “máquinas”. Além destas, há ainda
utensílios domésticos trazidos pelos imigrantes da região e
utensílios usados em profissões em extinção.
Muitos dos objetos que
estão em exposição são provenientes de amigos, familiares ou
pessoas que admiram seu trabalho. Todas as peças recebidas têm uma
etiqueta com o nome do doador e com a data da doação. Algumas
possuem até uma breve explicação sobre a peça.
Nos últimos anos o
acervo multiplicou e ganhou uma réplica de uma barbearia que
existia no centro da cidade. A sapataria e a bodega não ficam muito
atrás, com seus inúmeros detalhes, que encantam todos os
visitantes.
Uma casa russo-alemã
nos faz viajar pela vida de nossos antepassados, onde o sótão
apertadinho lembra o de casas de muitos avós.
O trabalho do professor
não pára por aí. Ele pretende publicar ainda neste ano um livro
sobre os carroções com histórias verídicas da época. “É uma
história que foi esquecida de contar”, explica com relação ao
meio de transporte que contribuiu e muito com o desenvolvimento do
Estado.
Mesmo com tempo escasso,
Arnoldo recebe muitos visitantes. Um dos últimos a conhecer o local
foi o deputado estadual Rafael Greca de Macedo, que se encantou com
o acervo. Já está agendada a visita de um grupo de espanhóis,
através do Rotary Club.
Uma visita ao passado
custa R$3 - utilizado para a manutenção do acervo - e deve ser
agendado com antecedência.
O
início
As histórias começam a
serem contadas pela casa do sítio, onde Arnoldo recebe os amigos
nos finais de semana.
Nas paredes do hall de
entrada estão artigos de comunidades exóticas de etnias de
Palmeira e região: Witmarsum (alemães), Capelinhas de Vieiras
(portugueses), Sutil (africanos), Colônia Cecília (italianos
anarquistas) e Colônia dos Russos.
Muitos objetos decoram o
lugar, como ferros a brasa, lampiões, bengalas, rádios,
porcelanas, amassadeira de pão e gamela. Não esquecendo do
belíssimo fogão à lenha fabricado em Minas Gerais.
Os quartos são
mobiliados com jogos de quartos, armários, malas para viajem e
inclusive baús, tudo antigo e cuidado com muito zelo.
Na churrasqueira estão
peças dos verdadeiros donos da terra, os indígenas. Pedras
esculpidas em formas de lança e machadinhos encontrados na região,
junto com outros utensílios indígenas como pilões de pedra,
estão expostos numa das paredes do local.
No mesmo ambiente há um
canto destinado aos precursores de Palmeira e de outros municípios
da região: os tropeiros. São estribos, guaiacas, cangalhas,
panelas, cincerros, guiseiras, adagas, e até carbureteiras que
serviam como lanternas, exemplificando as dificuldades da época.
Ofícios
em extinção
Em homenagem aos ofícios que
estão em extinção como ferreiros, carpinteiros, sapateiros e
carroceiros, Arnoldo reuniu objetos e ferramentas em diversos
espaços para homenageá-los.
De acordo com ele, os
carroções começaram a serem utilizados no Paraná em 1880 e até
meados de 40 ainda serviam para fazer o transporte de mercadorias.
Pouca gente sabe que
carroceiro era uma profissão regulamentada, e os carroções
precisavam de placas para circular, como os automóveis de hoje.
De destaca tal qual os
carroções, dois monjolos ganham um espaço especial no sítio. O
maior era movido a água e o outro com a força do pé. Ambos
funcionaram durante muito tempo na localidade de Campestre de
Vieiras (interior de Palmeira), e Arnoldo os trouxe para seu acervo
para que não estragassem com o tempo.
Uma das peças mais
impressionantes, principalmente porque é rara, é uma roda d’água
que está totalmente intacta e veio do município de São João do
Triunfo. Ela foi construída em imbuia para ser colocada em um
moinho, que não chegou a ser construído.
Outra peça de grande
importância é o barbaquá. Apesar do nome, era comum no tempo em
que a erva-mate era uma das principais culturas do Paraná, sendo
composto por uma cancha e carijo, que serviam para moer e secar a
erva, respectivamente.
Também em exposição
está a tafona, que durante muito tempo fabricou farinha de
mandioca, e hoje é apreciada pelos visitantes. Composta por
lavador, ralador, prensa e torrador, funcionava através de um
sistema de transmissão movido por força animal.
Sapataria
Em homenagem ao sapateiro
Elias Mayer, que durante muitos anos se dedicou ao ofício, uma
réplica de uma sapataria foi construída dentro do sítio.
Diversos objetos que lá
se encontram foram doados pela família do sapateiro, como formas
para calçados (numeração completa), máquina de costura, graxas,
pregos, revistas e muitos outros.
Junto ao rádio do
sapateiro, está exposta a nota fiscal de compra com a data de
10/04/1942 e sobre a mesa uma coletânea de manuscritos, documentos,
cartas recebidas e enviadas por Elias Mayer. Até o balcão onde
recebeu muitos clientes está no acervo, com diversos objetos
pessoais do homenageado.
De acordo com Arnoldo,
ainda faltam alguns detalhes para fazer a inauguração, quando
será descerrada uma placa em homenagem ao sapateiro.
Barbearia
de Paulo Bach
Ao entrar na barbearia, é
inevitável não se imaginar sentado em uma das cadeiras e esperar
que o barbeiro venha acertar o corte.
Sobre uma mesa estão
revistas e jornais de diversas épocas como: O Cruzeiro, A Noite,
Revista da Semana e outros. Uma delas traz como manchete a morte de
Maria Bonita, e as matérias são todas dedicadas a história de
Lampião e seus cabras.
Outras minúcias
descobertas sobre as mesas e penteadeiras foram os “santinhos”
de candidatos de outras épocas e fechados em vidros estão aparos
de barba e cabelo do último cliente. O chapeleiro e as famosas
cadeiras Móvel Simbol incrementam o lugar.
Arnoldo, antes de trazer
a barbearia para o sítio, fotografou tudo para que ficasse uma
réplica perfeita da original. As cadeiras, as máquinas manuais de
cortar cabelo, os pentes, cremes, tesouras, navalhas, loções
faciais, enfim tudo que o barbeiro Paulo Bach utilizava, estão da
mesma forma como ele deixou.
A barbearia, antes de
passar para uma sala na Rua Conceição, funcionou na casa da
Baronesa, local onde foi construída a Prefeitura Municipal, onde
está ate os dias atuais.
Bodega
Uma das motivações de
Arnoldo para montar uma bodega no sítio foi o fato de seus tios
José Cardoso Monteiro (irmão de sua mãe) e Bárbara Bach (irmã
de seu pai) possuírem um comércio desse tipo.
Até as publicidades de
sua bodega remontam ao passado, quando as moças do cartaz da Skol
usavam roupas mais discretas e as garrafas de cerveja não tinham
tampa, apenas uma bola de vidro que segurava o líquido.
Como nos velhos tempos,
a bodega do sítio Minguinho tem de tudo: bebidas, cereais, sapatos,
ovos, botões, suspiros, balas, velas, tinta e até as famosas “Pílulas
de Vida do Dr. Ross”.
Tudo apenas para ver,
porque não seria recomendado ingerir margarina ou manteiga em lata
(há muito tempo fechadas) ou experimentar um chimarrão com
erva-mate de muitos anos atrás.
Qualquer criança e até
adulto se encanta com os objetos, principalmente pelos mais
exóticos como as tiras de chinelos de dedo que eram vendidas em
separado ou uma caixinha de penas de aço (usadas para escrever).
O proprietário mostra
com orgulho um vidro de óleo Singer intacto, ainda fechado, e a sua
máquina de encher cerveja, vinda de uma das cervejarias que
existiam em Palmeira. Os caixotes de cereais e a máquina
registradora, junto com o balcão, prateleiras e a geladeira de
madeira, completam todo o ambiente.
Assim como na barbearia,
os “santinhos” e panfletos enchem o balcão e os bancos, todos
de uma época que deixou saudades.
Casa
russo-alemã
Quem chega no sítio se
depara com uma bela casa em estilo russo-alemã com lambrequins e
tudo mais.
Trata-se da casa do
casal João Schamne e Luiza Bach Schamne, que ficava no centro da
cidade de Palmeira e foi doada por seus descendentes para Arnoldo -
que a reconstruiu respeitando todos os detalhes.
Mais impressionante do
que por fora é dentro, onde todas as peças são verdadeiras
relíquias como uma tábua de passar roupa que chama a atenção
pelo seu designer, onde a prancha é ondulada e o “ferro” é um
rolo de madeira.
No canto da grande sala
está uma cadeira de balanço toda trabalhada e ao seu lado
encontramos uma barrica para armazenar o precioso açúcar. No mesmo
cômodo está um berço de balanço, utilizado por muitas
gerações.
A cozinha é uma das
peças mais aconchegantes. Parece que a qualquer momento alguém vai
preparar uma deliciosa polenta no fogão a lenha. Ao lado estão
porcelanas, panelas de ferro, cortador de repolho, talheres e como
não poderia faltar, um caixão de lenha.
Ao subir ao sótão da
casa, por degraus estreitos e altos, chegamos em dois ambientes:
sala de música e quarto. Na primeira, encontramos gramofones,
discos, pianola, máquinas de costura e de tricotar.
No quarto, as camas
ocupam todo o espaço, sendo que uma delas merece um grande
destaque. O móvel tem em sua cabeceira um panô antiguíssimo,
assim como todo o resto, onde muitas gerações sonharam.
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