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O deserto brasileiro
Imagine um lugar seco,
muita areia, grandes
dunas, sem vegetação e poucos animais vivendo neste ambiente tão
inóspito. Água restrita, somente aquela que cai com o orvalho da
noite. A palavra
deserto provavelmente conota está visão.
A
região do Jalapão, no Tocantins, é chamada de deserto do Jalapão,
mas se você for para lá pensando em conhecer um deserto com as
imagens descritas no texto é melhor mudar a sua passagem para o
Saara. A região é formada por uma densa vegetação de cerrado
baixo, a água flui exageradamente formando rios, brejos e lagoas,
onde muitas espécies de animais encontram alimento em abundância.
É possível encontrar espécies típicas do cerrado como o tamanduá-bandeira,
veado-campeiro, capivara, ema e a onça-pintada. Casais de araras,
tucanos e muitas outras aves ajudam a compor o cenário. Assim é o
deserto do Jalapão.
Segundo os seus
habitantes, o Jalapão é chamado de deserto devido
aos poucos habitantes que por lá resolveram morar. A densidade
demográfica é de 1,3 habitantes por km2. Mesmo rodando
nas estradas principais você passa horas sem cruzar com pessoa
alguma pelo caminho.
Localizada no sudeste do Tocantins, a região,
com 34mil km2, remonta há milhares de anos quando a água
do mar cobria tudo. A natureza, com o passar do tempo, moldou este
cenário único no coração do Brasil formado por dunas, chapadões,
cachoeiras e trilhas perfeitas para os amantes do Off Road. O clima
é o tropical continental com duas estações bem definidas: a
chuvosa ou inverno, nos meses de outubro a abril, e a seca ou verão,
entre os meses de maio a setembro. A temperatura média fica em
torno dos 30o C. Na estação chuvosa as estradas da região
ficam praticamente intransitáveis, mesmo para veículos com tração
4x4. No verão predominam os enormes areiões onde carros baixos e
sem tração correm o risco de acabarem presos na areia.
O nome Jalapão vem da planta trepadeira
nativa conhecida como Jalapa-do-Brasil (Operculina Macrocarpa) cujas
raízes são utilizadas
pelos habitantes da região como remédio contra problemas
gastrointestinais.
O Jalapão abrange os municípios de Ponte
Alta do Tocantins, Mateiros, São Félix do Jalapão, Novo Acordo e
Aparecida do Rio Novo. Ponte Alta é considerada a porta de entrada do deserto e o último
local onde o aventureiro pode comprar combustível, alimentos e água,
além da contratação de guias - se necessário. Uma dica é procurar o Hotel Planalto
(63 378-1141), que além
de hospedagem pode providenciar alimentação, informações e
ajudar na contratação de guias. Aproveite para bater um bom papo
com a proprietária dona Lázara que conhece bem a região. É altamente recomendável a
contratação de guia para a exploração da região, pois os
caminhos são muitos e confusos. Recomendamos como guia o Sr.
Antonio Soares, vaqueiro, lavrador, 77 anos vividos na região,
profundo conhecedor do Jalapão e um ótimo papo que enriquecerá a
sua viagem. O telefone para contato do sr. Antonio é (63) 363-1186.
São inúmeras as
atrações que se
escondem no meio do cerrado. Saindo de Ponte Alta pela estrada que
leva a Mateiros, depois de rodar 17 Km se localiza a Gruta
Sussuapara, uma grande fenda formada pela erosão por onde correm as
águas cristalinas de um riacho que nas grandes secas chega a
desaparecer. Mais adiante estão as cachoeiras do Brejo da Cana que
forma um remanso onde se pode tomar banho e a bela cachoeira do
Lajeado com a sua coloração ocre onde também é possível
banhar-se nas águas límpidas que formam pequenas piscinas naturais.
Distante cerca de 100 km de Ponte Alta, na
fazenda Triagro , uma área desapropriada pelo governo de Tocantins,
se localiza a cachoeira da Velha, uma das maiores atrações do
Jalapão. Alimentada
pelas águas do rio Novo a cachoeira é formada por duas quedas em
forma de ferradura com cerca de 100 metros de largura e 25 de
altura. No local é possível acampar nas praias formadas nas
margens acima da queda e também se divertir nas águas do rio.
Mais adiante o espetáculo é garantido
pelas dunas de até 40 metros de altura e formada por areias que vem
dos chapadões da Serra do Espírito Santo de cor amarelo ouro. As
dunas são o grande cartão postal do Jalapão. É possível
praticar o Sandboard, banhar-se no riacho existente no local, além
de se poder caminhar por elas. Muito próximo das dunas está a
lagoa do Jacaré, com pés
de Buriti, espécie de palmeira encontrada na região, em suas margens e a Serra do Espírito Santo ao fundo.
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