.: Diário de Bordo :. Diário de Bordo 09 – 29/07/04 – Termas do Rio Hondo Voltando para casa. Saímos cedo de Cafayate e continuamos a nossa viagem seguindo até as ruínas de Quilmes, um dos maiores e mais importante sitio arqueológico da Argentina. O lugar impressiona, estrategicamente localizado aos pés de uma montanha e dentro do Vale Cachalqui um vale que começa em La Poma, lugarzinho que passamos no inicio da viagem quando subimos o Abra Del Acay e segue até a cidade de Amaicha Del Valle um pouco mais a frente das ruínas de Quilmes. Conta a história que os aborígenes habitavam a região a cerca de 10.000 anos. Nos anos 800 Dc os índios Cachalquis começaram a levantar a “cidade” onde permaneceram até meados de 1670 quando foram exterminados pelos espanhóis. Os espanhóis levaram mais de 130 anos para conseguirem dominar a região devido a ferocidade dos índios “Quilmes” e a localização estratégica do povoado. Esta tribo era imensa e viviam da agricultura, pecuária e também do comércio com outras tribos. Os incas vindos do norte por volta de 1400 pela Quebrada de Humauaca, acabaram influenciando a cultura dos Quilmes, pois eram muito mais avançados e estes acabaram absorvendo toda a cultura inca, seus deuses, suas técnicas e seus valores. Um passeio por Quilmes é perceber a grandeza destes povos e a ganância e selvageria dos ditos “colonizadores” espanhóis. Nosso guia nos contou que para os espanhóis vencerem os Quilmes eles tiveram que fazer um cerco. Grande parte das mulheres da tribo acabaram se atirando de um precipício com seus filhos pequenos para não serem presos pelos espanhóis. Os que sobraram na tribo foram levados para várias partes da Argentina e as famílias separadas para não haver a possibilidade de se organizarem novamente. A maioria foi levada para a cidade de Quilmes perto de Buenos Aires caminhando, por isto hoje esta tribo é chamada de Quilmes. Saímos de Quilmes e pouco depois chegamos em Aimacha Del Valle, uma pequena cidade onde está localizado o museu Pachamama. Pachamama na cultura inca é a “Mãe Terra” uma das principais divindades. Este museu é uma iniciativa do artista plástico Hector Cruz e o prédio do museu já é uma grande atração. Vale a pena uma visita. Saímos de Aimacha e subimos a serra conhecida como El Infernillo até chegarmos aos 3000 metros para iniciar a descida até Tafi Del Valle. A paisagem começa a mudar e começamos a ver grama e árvores verdes, coisas raras nas paisagens anteriores. Tafi foi meio decepcionante, apesar de ser uma cidade bacana. Ela é uma espécie de lugar de descanso para os habitantes de Tucuman, uma grande cidade a cerca de 100 kms dali. Nos falaram muito dos queijos produzidos no local, mas provamos e não achamos grande coisa. A cidade possui muitas estâncias e uma das principais atividades de recreação do lugar são as cavalgadas. Continuamos e pouco depois começávamos uma descida alucinante por uma estradinha asfaltada mas super estreita. Esta serra já possui características muito parecidas com as nossas com a vegetação verde cobrindo as montanhas, como a nos avisar que nossa experiência nos Andes estava terminando. Muito bonita a região e no verão deve ser ainda mais. Assim nos despedimos da Cordilheira dos Andes e começamos a nossa volta para casa. Continuamos seguindo por planícies cobertas de plantações de cana de açúcar até as Termas do Rio Hondo onde estamos agora e vamos ficar amanhã para descansar e tirar a poeira da viagem, para na quinta feira sentar nos veículos e chegar o mais rápido possível em casa, pois a saudade já está batendo forte.
Márcio Miranda
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