.: Diário de Bordo :.

Diário de bordo 07 - 26/07/04 - Salta

O povo andino

Chegamos em Purmamarca a noite, depois de descer a “Cuesta Del Lipan”.


Altar em Humauaca

Foi muito complicado achar um lugar para ficar pois estava tudo lotado e ninguém estava com muita disposição para armar barraca depois de rodar o dia inteiro. No final nos dividimos o Douglas e o Wilson ficaram em um hotel muito bacana que não tinha lugar para todos e o Kaminski e eu já estávamos indo procurar um camping quando paramos em um hotel que estava metade pronto e metade em construção.


Feira em Humauaca

Como os outros estava lotado, mas perguntamos se ele não nos deixaria ficar nos quartos ainda em construção pois estavam praticamente prontos e estendermos os nossos colchões, o que era melhor que ter que montar barraca naquela hora. Não é que o cara nos cedeu um quartinho ,creio que seja dos empregados, mas com colchões, banheiro, aquecedor, etc. Nem acreditamos.


Brasileiros em Humauaca

No dia seguinte vistamos a cidadezinha que já faz parte da Quebrada de Humauaca. A quebrada é patrimônio da humanidade pois nela a mais de 10.000 anos os aborigenes vivem. Por ela os incas desceram dos Andes para dominar os Quéchuas que habitavam a região, os espanhóis vieram dominar os incas e atualmente ela é a rota de ligação da Argentina com a Bolívia. As principais cidades da quebrada são Purmamarca, Tilcara e Humauaca, cidade criada em 1590 mas no local os aborigenes já viviam a muito tempo. Purmamarca ainda é conhecida pelo “Cierro de las Siete Colores” uma montanha que como o nome diz tem sete cores. Tudo gira em torno da praça principal, que assim como em Tilcara possui varias bancas com venda de artesanatos e produtos regionais. No caminho passamos por um marco que sinaliza o Trópico de Capricórnio.


Igreja em Humauaca

Humauaca é a maior das 3 cidades e a mais interessante. Possui muitas casas dos séculos XVI e XVII, ruas estreitas e uma igreja com o altar todo em ouro e várias peças de arte do século XVII. É muito interessante ver os povos que habitam a quebrada. A grande maioria é descente direta dos incas e quéchuas que habitavam os Andes antes da colonização espanhola. Após um passeio pelas ruas de Humauaca, almoçamos e paramos em um posto para abastecer os veículos. Encontramos 3 brasileiros que também estavam passeando pela região.


Lhama para fotos em Humauaca

Depois começamos a nossa volta para Salta escutando a final da Copa América entre o Brasil e a Argentina no rádio. Chegou a dar raiva do cara que estava narrando o jogo. Desde o inicio, segundo ele a Argentina dominou completamente o jogo e o Brasil jogou como um time retranqueiro e fazendo o anti futebol. No final do primeiro tempo quando o Brasil empatou ele quase ficou louco no radio dizendo que a Argentina não merecia que o jogo tinha que estar pelo menos uns dois a zero para a seleção portenha.


Sierro de Las Siete Colores

Durante todo o segundo tempo o cara só ficava falando que o Brasil estava enrolando para levar o jogo para os pênaltis, que não jogávamos nada, etc. Quando a Argentina fez o segundo gol o cara ficou maluco. Ficou gritando gol uns 3 minutos e fazendo a festa já comemorando o campeonato, e falando que tinha sido um golaço do argentino. Quando o Brasil empatou foi hilário. O cara não sabia o que falar no radio e quando eles perderam nos pênaltis o figura, o nome do narrador é Victor Hugo da radio de Jujuy, o cara só faltou chorar e praticamente abandonou a narração falando que não tinha mais nada para falar. Depois vendo os gols na televisão vimos que o golaço que ele narrou na verdade foi uma baita falha da nossa defesa.


Festa em Purmamarca

Golaço sim foi o do Adriano. Depois achamos que o pênalti do primeiro gol da Argentina não foi pênalti, até a tv mexicana que estávamos vendo achou isto também. O importante é que de novo estamos nós em Salta e de novo num Brasil e Argentina e de novo o Brasil ganha dos nossos vizinhos. Creio que se a seleção soubesse disto a cada jogo do Brasil com eles ela deveria nos mandar para Salta para dar sorte eh eh.

Um abraço

Márcio Miranda