.: Diário de Bordo :. Diário de bordo 04 - 20/07/04 - Terça Feira - Santo Antonio de Los Cobres No topo da América Na segunda feira acordamos cedo e acabei descobrindo que o ladrão levou também o nosso radio comunicador, aumentando o nosso prejuízo, mas tudo bem deixa este assunto para lá. Fomos até uma loja do centro para ver os preços de artigos para camping, pois pretendíamos comprar o que iria faltar em nossa viagem. Achamos uma loja bem legal com bons preços e compramos um saco de dormir. Depois saímos de Salta rodando sentido as alturas. Optamos por subir a cordilheira por outro caminho do que os mais utilizados para quem vai ao Atacama. Assim teríamos oportunidade de conhecer novos lugares e ainda colocar um pouco mais de desafio em nossa viagem. Assim seguimos para a “Cuesta Del Obispo” por onde começamos a subida dos Andes, para chegarmos até Cachi uma bela cidadezinha a 2.700 metros de altitude. Cachi é um lugar muito bacana e fica aos pés do “Nevado Del Cachi” montanha com mais de 6000 metros. Nela existe um museu arqueológico bem legal com muitas peças do período pré-inca, como urnas funerárias, múmias, e vários artefatos dos Incas também. Ficamos no camping municipal, um lugar bem estruturado e movimentado. Fizemos um belo churrasco e a noite só não foi melhor por causa de um idiota que chegou para pernoitar ao lado do nosso acampamento e para fazer fogo tacou óleo diesel no fogo, empesteando o camping inteiro com a fumaça. Depois colocou uma comida no fogo que me arrepia só de pensar em comer algo com um cheiro daqueles, mas tudo bem. Dormimos e no dia seguinte acordamos cedo, desmontamos acampamento e logo estávamos na estrada novamente para chegarmos ao ponto mais alto da nossa viagem, literalmente. Resolvemos seguir para Santo Antonio de Los Cobres, já novamente na rota para o Atacama pelo “Paso Abra Del Acay” que é simplesmente a estrada mais alta da América, chegando a 4895 metros sobre o nível do mar. Para se ter uma idéia desta altura o Mont Blanc é a montanha mais alta da Europa e tem 4.807 metros de altura, ou seja 88 metros mais baixa que a estrada por onde passamos. Além da altura a estrada é estreita, sujeita a desabamentos e cruzando varias vezes o Rio Cachalqui que segue todo o tempo ora de um lado ora de outro do caminho. Eu não tenho palavras para definir a emoção quando vi aquela placa indicando a altitude. Subi uns metros a mais e fiz o meu montinho de pedras como manda a tradição inca para agradecer a dádiva de pode ter estado ali naquele momento. A sensação foi indescritível e além da falta de ar, cansaço e adrenalina de dirigir numa estradinha daquelas onde cruzamos apenas 2 veículos o dia inteiro uma paz e sensação de conquista tomou conta de todos da equipe naquele momento. O visual daquela região é maravilhoso e as fotos com certeza não conseguirão mostrar tudo aquilo que vimos e sentimos durante o trajeto. Famílias isoladas no meio da cordilheira cuidando dos seus animais, grupos de pessoas levando mulas com produtos no lombo para vender de um povoado a outro, coisa que jamais imaginei que veria em pleno século 21, lhamas que quase entraram dentro da Ranger, um macarrão que fizemos ao lado do rio de águas geladas para almoçarmos embaixo de um céu azul e subidas, subidas e mais subidas até o ponto mais alto para depois descermos até os 3.700 metros de San Antonio de Los Cobre onde estamos pernoitamos e de onde escrevo este diário. Levamos o dia inteiro para rodar cerca de 150 km, pois num bom trecho da estrada nossa velocidade não era mais do que 20 km por hora. Em Los Cobres resolvemos pernoitar na Hosteria de Las Nubens, pois o cansaço, a poeira nos corpos e os efeitos da altitude não nos animaram a montar barraca. Pouco depois que chegamos na hosteria surgiu uma Toyota com 3 brasileiros que também estão indo para o Atacama. A noite nos reunimos todos num grupo e ficamos conversando durante o jantar. Ficamos sabendo que o site da nossa primeira viagem serviu de fonte de consultas para viagem deles, e ficamos batendo papo até o cansaço bater em todos e irmos dormir.
Mas este novo roubo com certeza não vai ofuscar as belezas que estamos vivenciando nesta aventura. Amanhã seguimos para San Pedro de Atacama, mas com certeza as imagens e emoções de hoje já valeram a viagem.
Um abraço Márcio Miranda
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